Campos Costa: “A minha maior mágoa é não ver o concurso “Júlio Cardona”

Emoção, musica e muitos elogios foram a nota dominante, na homenagem que, este domingo, a Câmara Municipal da Covilhã promoveu ao Maestro Campos Costa, precisamente no dia em que celebrou 90 anos.

Os vários oradores que participaram na cerimónia, nos Paços do Concelho, salientaram o humanismo, o profissionalismo, a sabedoria e o exemplo do maestro. O seu neto mais velho Luís Filipe salientou “o exemplo que o seu sentido de justiça, dever dignidade e sabedoria”, são para todos. Para o familiar as marcas dos 90 anos nada são “se a vida intensa contribui para manter unida a família”. Foi, pelos diversos intervenientes, considerado um dos “exemplos maiores” na promoção da cultura no concelho. Maria Mosa, covilhanense mestranda em música na Universidade de Aveiro, a desenvolver um projeto de investigação sobre Campos Costa, enumerou muitos dos seus feitos, como o ressurgimento do Orfeão da Covilhã, a criação do Conservatório, os concursos internacionais de instrumentos que promoveu enquanto delegado na Covilhã da Juventude Musical Portuguesa, referindo que “é uma das mais importantes personalidades da Covilhã, que deu à cidade o seu bem mais precioso, a cultura”.

Fernando Paulouro recordou Campos Costa, como “um inquietante criador, com sede de saber e conhecimento”. Instrumentos que utilizava “contra os arqueísmos do meio e a sua imobilidade cultural”.

Emanuel Frazão, presidente da Juventude Musical Portuguesa, que em conjunto com o maestro covilhanense organizou diversas edições do Concurso Internacional de Instrumentos de Arco “Júlio Cardona”, lamentou que “em Portugal não haja mais Campos Costa”, salientando que o que “ele realizou na Covilhã faz toda a diferença”.

As qualidades humanas e profissionais de Campos Costa foram também postas em evidência por Vítor Pereira, presidente da Câmara Municipal da Covilhã. Para o autarca, a Covilhã “é um alfobre de grandes músicos, graças á ação do maestro”, acrescentando que sem ele “a musica na Covilhã não teria a profundidade que tem hoje”.

No final da homenagem e de forma emocionada, á Rádio Covilhã, Campos Costa considerou que “foi um exagero da parte das pessoas”, e sentiu-se “satisfeito por ver o reconhecimento”. Apesar da emoção, Manuel Campos Costa não escondeu a mágoa por ver um dos melhores concursos de instrumentos da Europa não se realizar desde 2015. Afirmou que “esta é uma mágoa que tem e que levará quando partir, porque a Covilhã merece esta realização”

Um regresso que poderá acontecer no futuro referiu a vereadora da Cultura na autarquia, Regina Gouveia. “Para este ano já temos previsto o concurso internacional de percussão e não podemos ter duas realizações desta grandeza”, explicou, acrescentando que “internamente a autarquia irá analisar a situação e tomar uma decisão”.