Sporting da Covilhã teve o “pássaro na mão”…

Na tarde deste domingo, o Sporting da Covilhã empatou a uma bola na deslocação a Arouca. Numa partida quase equilibrada para os dois lados, foi o Arouca quem se destacou mais na primeira parte. Os serranos desde cedo implementaram uma pressão alta na sua ideia de jogo, mas o Arouca esteve sempre um passo à frente e soube anular o estilo covilhanense.

 Alinhando num esquema tático diferente do habitual, com cinco novidades no 11 inicial, o Arouca foi sempre rápido a jogar. Num 4-4-2 inicial, que no ataque variava para um 3-2-5, assumindo esse grande caudal ofensivo, o Arouca esteve sempre no meio campo do Covilhã. A defesa tinha sempre pouca bola, o meio campo estava bastante móvel, mas também bem posicionado, e o ataque volumoso e rápido. O Covilhã jogava na prevenção, à procura da reação do adversário para soltar o seu contra-ataque. Essa mesma arma não funcionou mais uma vez. O Arouca, com a lição bem estudada, não deu espaços para o Covilhã poder construir jogo, nem deixou Kukula sair na velocidade. Nem o Arouca, nem o relvado, que se encontrava em muito más condições, visivelmente remendado demais.

De linhas bem subidas, os leões da serra tentavam empurrar o Arouca. Contudo num simples passe longo, a defesa arouquense punha a bola nos pés de Fábio Fortes que esteve perigoso no jogo inteiro. Até ao intervalo, destaque apenas para as oportunidades flagrantes de Mica e Adriano Castanheira, aos 39 e 40 minutos, respetivamente, que não deram em golo por pouco.

Se na primeira parte o relvado estava em más condições, ao intervalo piorou a situação. Enquanto as três equipas estavam no balneário, o tapete foi regado em demasia, quase formando um lamaçal, no Estádio Municipal de Arouca. Na segunda parte, o Arouca fez novamente frente ao Covilhã desde o primeiro minuto. Aos 55 minutos surge um ataque de perigo dos jogadores da casa. No minuto seguinte, novamente oportunidade para Adriano Castanheira marcar. Só tinha de deixar para o seu pé esquerdo e finalizar, mas a alta pressão dos arouquenses a criar um cerco no avançado, que se viu forçado a rematar de pé direito. Entre mexidas dos dois lados, a entrada de Deivison foi a solução para os leões da serra. Não sendo o jogo ideal para Kukula jogar, no qual os duelos no ar contra os centrais eram mais frequentes do que jogadas de bola no chão para a velocidade do cabo-verdiano, Deivison entrou para aumentar o porte físico do ataque serrano.

Registo para oportunidades repartidas na segunda parte, tendo o Arouca estado por várias vezes a centímetros do golo. Aos 89 minutos, depois de tanta insistência, num contra-ataque em que o Arouca não teve pernas para recuar, Bonani ganhou a bola a meio campo, jogou na frente para Mica que, mesmo ficando bloqueado pela falta de pé esquerdo, conseguiu tabelar com Deivison, conduzir a bola até à grande área e finalizar para o golo tão desejado do Covilhã. Festa no banco verde e branco, com alguma euforia à mistura, sentimento que viria a mudar no minuto seguinte.

Numa jogada de ataque do Arouca, na qual a equipa do Covilhã estava toda recuada, Fábio Fortes ganhou frente a uma defesa desconcentrada, enganou São Bento e marcou o golo do empate. O Covilhã sai prejudicado pelo seu próprio estilo de jogo que, estando habituado a jogar num campo pequeno como o do Santos Pinto, quis jogar apertado num campo maior, notando-se alguma “atrapalhação” do ataque, no momento de levar a bola até à baliza adversária.

Na conferência de imprensa, Filó considerou este jogo similar aos últimos, falando de “questões internas” que impossibilitaram outros jogadores de jogar, não querendo desenvolver o tema. Já Quim Machado, técnico do Arouca, assume o empate “um resultado justo”, na sua leitura mais saboroso para o Covilhã do que para o Arouca, pelo que as duas equipas produziram durante o jogo.

Com este empate, o terceiro jogo seguido sem vitórias para os serranos, o Covilhã mantém-se no oitavo lugar, com 38 pontos, mais 7 que a primeira equipa na zona de descida, o Varzim. Na próxima jornada, disputada na Sexta-Feira Santa, dia 18, às 11:15h, os serranos recebem o Porto B, sexto classificado, que nesta jornada empatou com o Paços de Ferreira.