Teatro das Beiras com 100.ª edição

O espetáculo “do princípio ao fim” é construído a partir de textos de Eduardo De Filippo e retrata uma companhia de atores caídos em desgraça que esperam ansiosamente “uma ajudazinha” das autoridades locais, por forma de suster o eminente e trágico fim que se anuncia.

Gil Salgueiro Nave, encenador da peça, já disse à nossa reportagem que esta é uma metáfora, inspirada na realidade. Ao longo do espetáculo, o grupo de teatro organiza uma récita onde se sucedem números musicais, folhetins radiofónicos, cinematógrafo e, claro, o drama a farsa e a comédia trágica de um quotidiano vivido nos limites do surreal, ainda que estimulante apesar de tudo.

Uma peça com vários quadros que não pode ser enquadrada num único género. “Do princípio ao fim” comporta uma identidade sustentada na história das artes de palco e propõe ao mesmo tempo uma “leitura contemporânea e atualizada de uma dramaturgia que se inspira num teatro eminentemente social, de humor desconcertante, às vezes trágico e grotesco, estimulando o sentido crítico, insinuando uma mistura de desencanto e simultaneamente de esperança e expectativa na humanidade, capaz de impulsionar o homem a resistir às adversidades e continuar a lutar pelos valores de dignidade que são lhe devidos”, lê-se na sinopse.

É, no fundo, o que “fazem os atores de teatro em Portugal”, diz Gil Salgueiro Nave, dada a “escassez de apoios que existem face ao serviço publico que o teatro presta”. Esta é a centésima produção da companhia profissional de teatro da Covilhã, “é um marco, mas não é um motivo de comemoração”. Uma peça que tem no seu elenco novos elementos, o que também é estimulante, diz o encenador. “Do princípio ao fim” está tal como o imaginou, diz, e será motivante também para os espetadores.