Câmara da Covilhã põe ao serviço dos bombeiros 1.º de 10 reservatórios no concelho

A Câmara Municipal da Covilhã colocou hoje ao serviço dos bombeiros o primeiro de uma rede de 10 pontos de água (reservatórios) mistos, que permitirão o abastecimento de meios éreos e terrestres, colmatando desta forma uma das lacunas apontadas pelos relatórios que analisaram o grande incêndio de 2022.

“É uma obra que vem colmatar uma das lacunas identificadas no Relatório Síntese das Lições Aprendidas, em que se apontava a indisponibilidade de pontos de água, aéreos ou misto e recomendado que se instalassem”, disse Vítor Pereira, sublinhando que a autarquia assim fez.


“Primeiro estudámos, depois planámos e estamos a concretizar. Este é o pontapé de saída. São pontos de água que vão tornar mais rápido e eficaz o combate a eventuais incêndios”, vincou.

Trata-se de uma estrutura situada próxima da Casa do Guarda, na Rosa Negra, em plena Serra da Estrela, com capacidade para 200 mil litros, que permite, no pior cenário, que dois helicópteros operem em simultâneo durante 7 horas, no entanto, e porque este tem abastecimento continuo suportado por uma linha de água natural, e com redundância a um ponto de água da ADC, a capacidade operacional é muito maior que essas 7 horas, foi explicado esta manhã, durante a cerimónia simbólica de inauguração.

Vítor Pereira sublinha que desta forma se aumenta a oferta de água disponível, há maior rapidez no abastecimento, aumentado a eficácia do combate.

Luís Marques, comandante dos Bombeiros Voluntários da Covilhã e coordenador municipal da Proteção Civil sublinha o aumento de eficácia no combate ao fogo que se consegue com estes pontos de água.

“Passamos a ter zonas de abastecimentos quer de meios terrestres quer aéreos mais próximos das zonas onde podem ocorrer os possíveis incêndios, e ao reduzir os tempos, aumentamos a eficácia”, disse, detalhando que nos caso dos meios aéreos “em vez de ter 10 descargas por hora se passa a ter 15 a 20”. Explica que a função das descargas dos helicópteros “é baixar e reduzir a intensidade das chamas para depois os meios terrestres fazerem o combate”, sublinhando que ao aumentar a frequência de descargas se aumenta a eficácia no combate aos fogos.

O comandante dá conta que os helicópteros têm que vencer distâncias horizontais e no caso da serra da Estrela também as verticais, para evidenciar que com a rede planeada pelo município se aumentam os pontos de água em altitude, o que “dá melhores garantias e melhores condições operacionais”.

“Não precisamos de ter tantos veículos de abastecimentos, não precisamos de perder tanto tempo entre reabastecimentos e logo vamos ter mais força de combate”, disse.  

Este primeiro reservatório localiza-se em terrenos cedidos para o efeito pelo ICNF e foi totalmente custeado pela autarquia, correspondendo a um investimento superior a 30 mil euros.

Estão planeados mais 9, para a Erada, Trigais, Cortes do Meio, Tortosendo, Casegas, Sobral de S. Miguel, S. Jorge da Beira, Verdelhos e Sarzedo, avançou Vítor Pereira, vincando que se trata de “pontos sensíveis e estratégicos” para o combate a incêndios.

Aponta que a autarquia está a procurar financiamento para a restante rede, nomeadamente no Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, estimando que no total o investimento possa atingir os 700 mil euros.

“Temos um calendário que vamos fazer ao ritmo das nossas possibilidades e das fontes de financiamento que pretendemos obter”, disse.

“Alimentamos a esperança, que é real e concreta, de que o envelope financeiro que está associado ao PRPNSE possa financiar parte substancial do custo de cada um destes reservatórios.  Estamos a falar de um investimento de 700 mil euros, que é bem empregue, porque se trata da proteção da floresta contra incêndios”, vincou o autarca.

Fátima Reis, do ICNF considerou a obra um “exemplo”. Uma obra necessária e importante na área da prevenção de grandes incêndios, disse, congratulando a autarquia por investir fundos próprios na sua concretização.

Além deste reservatório, a Câmara também já procedeu à instalação de bocas de incêndio de grande capacidade. Até agora colocou quatro e o objetivo é chegar às 12.