O problema da falta de multibanco na zona da Estação, na Covilhã, está em vias de estar resolvido, mas as acusações políticas em torno da questão ainda continuam.
Carlos Martins, presidente da UF Covilhã e Canhoso, acusa Vítor Pereira, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, de ter negociado a solução “à socapa”, sem avisar a Junta de Freguesia que, ao mesmo tempo, negociava com outras entidades.
Em conferência de imprensa realizada ontem ao final da tarde, apontou que ficou “estupefacto” ao ver na Ordem de Trabalhos da reunião de Câmara a proposta de instalação de dois multibancos, um na Central de Camionagem e outro no Centro Comercial da Estação, acusando Vítor Pereira de “falta de cultura democrática”.
“Fiquei estupefacto, é preciso resolver o problema das pessoas, mas não a todo o custo”, disse, acrescentando que “isto demonstra, e outras atitudes do Senhor Presidente da Câmara, que é inábil, fez isto à socapa”, frisou. “A linguagem popular é esta, malandrices, maroto, atitudes muito pequeninas. Demonstrou falta de cultura democrática”, acusou, sustentando que “era muito fácil” ter enviado um email para a Junta a informar que tinha outra solução, “e não o fez”.
O presidente da UF Covilhã e Canhoso reforçou que já no caso da solução encontrada pela junta de freguesia, propondo a realização de um protocolo à Câmara Municipal, Vítor Pereira tentou “uma ultrapassagem perigosa”, ao enviar um email à junta a propor ele o protocolo solicitado.
“Se Vítor Pereira quer uma medalha neste processo só se for de lata”, disse ainda Carlos Martins, frisando que “se a CMC tinha tanta vontade de resolver o problema, certamente desde o início do ano haveria multibanco”
Para esta conferência de imprensa a UF convidou os líderes das bandas na Assembleia de Freguesia, criticando a ausência da CDU.
José Horta, líder da bancada da coligação “Juntos Fazemos Melhor”, sublinhou que “se fez do tema multibanco um problema gigantesco, que não merecia toda esta atenção, uma vez que na zona periférica há vários terminais”, e acusou Vítor Pereira de uma atitude “traiçoeira”, quando negociou uma solução diferente sem comunicar à União de Freguesias.
“A União de Freguesias da Covilhã e Canhoso tinha dado os primeiros passos nessa matéria, contactou a Câmara Municipal e o Senhor Presidente da Câmara veio responder, mais tarde, na tentativa de assinar um protocolo e, a partir daí, silenciou-se, retirou aquilo que disse, para de uma forma traiçoeira, trair não só o presidente da União de Freguesias da Covilhã e Canhoso, mas também todos os elementos da Assembleia de Freguesia”.
“Na política não pode valer tudo, acho que o caráter tem de prevalecer”, apontou.
José Horta conclui que “tudo está bem quando acaba bem” e neste caso “os moradores da zona da Estação vão ter os problemas resolvidos”, mas em termos políticos teria que denunciar a estratégia da Câmara Municipal que, disse, foi “errada, desnivelada, sem caráter e com uma falta de cultura democrática muito, muito grande”.
Carlos Martins frisou que “este assunto está encerrado”, mas se moradores de outros bairros que também não têm o serviço, como o Bairro da Biquinha, Bairro Municipal, Bairro de Santo António, Covelo, “entenderem que querem uma caixa multibanco”, estará “ao lado deles” para essa luta.
O eleito da CDU na Assembleia de Freguesia, em comunicado enviado à RCC justificou a ausência na conferência de imprensa com o facto de o problema estar resolvido e ser isso que move a CDU.
“O problema vai ser resolvido, a solução encontrada é positiva para a população e para a Freguesia, logo, é boa para a CDU, e sobretudo porque não está disponível para alimentar a guerra de protagonismos por parte de quem quer colocar os seus interesses acima das necessidades da população. Se o Presidente da Freguesia tem “contas a fazer” com o Presidente da Câmara, que o faça, mas não conta com a CDU para esse número”, está descrito.
Recordar que a Câmara Municipal da Covilhã acordou com a SIBS a instalação, “possivelmente até fim do ano”, de duas caixas multibanco na zona da Estação, uma no CCE, suportando a autarquia os custos da renda mensal de uma loja, cerca de 200 euros, e outra na Central de Camionagem, sem custos para o Município, cedendo apenas o espaço.
O Bairro da Estação ficou sem este serviço há um ano quando encerrou a agência bancária que existia no Centro Comercial da Estação. Depois de várias negociações a UF Covilhã e Canhoso encontrou uma entidade bancária disposta a colocar um terminal, na sede da junta, propondo à CMC um protocolo para que esta assumisse os custos com as obras necessárias, cerca de 4 mil euros segundo a Câmara, e o pagamento mensal a essa entidade, cerca de 700 euros. Uma solução mais cara que a encontrada pela autarquia, explicou a Vítor Pereira questionado pelos jornalistas.