Em período de escassez de dádivas, Grupo de Dadores de Sangue da Covilhã é exemplo nacional

Com 1.769 dádivas de sangue em 2025, o Grupo Humanitário de Dadores de Sangue da Covilhã volta a afirmar-se como um dos mais ativos do país, num período em que a dádiva escasseia a nível nacional.

Reconhecido há vários anos pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) como um dos grupos com mais dádivas no interior do país, o presidente da direção, Vítor Santos, sublinha que os bons resultados não levam a abrandar o ritmo.


“Se calhar é um oásis, e é esse o feedback que nos é transmitido pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação. O trabalho desenvolvido mostra que não adormecemos à sombra da bananeira pelos números que obtemos de ano para ano. Isso só nos motiva a desenvolver a nossa atividade na promoção, divulgação e recolha de sangue. Para nós é um orgulho bastante grande.”

O dirigente lembra ainda que a realidade demográfica do interior torna este resultado ainda mais relevante.

“Sabemos que a população está muito envelhecida e estamos no interior, mas cada vez que apelamos aos dadores, eles comparecem e dão o seu contributo. Quando temos estes resultados no final do ano, enche-nos de orgulho e pode ser considerado um oásis a nível nacional”, apontou.

Para além das recolhas quinzenais na sede, o grupo quer alargar o número de entidades e empresas onde realiza sessões de colheita já em 2026.

“Mantivemos o número de recolhas e este ano obtivemos mais dois locais: na empresa Benoli, no Tortosendo, e na empresa Paulo Oliveira. Já foi feita uma recolha e vai ser feita outra. A pedido da gerência, vamos também reativar a recolha na Penteadora de Unhais da Serra. Ainda não há datas definidas, mas os locais de recolha nas empresas vão aumentar”, disse

Vítor Santos destaca que a melhoria das condições durante a dádiva também tem contribuído para a fidelização dos dadores.

“Estamos a criar condições para os nossos sócios, com a aquisição de cinco macas, que são muito mais confortáveis e seguras. Quando estiverem ao serviço dos nossos dadores, em breve, eles virão mais vezes, porque se sentem seguros.”

O presidente elogiou ainda o trabalho desenvolvido junto dos estudantes da Universidade da Beira Interior, considerando-o essencial para a renovação de dadores.

Os dados foram divulgados na Assembleia Geral do grupo, ontem à noite, (dia 29) onde foram aprovados por unanimidade o relatório de contas e atividades de 2025, bem como o orçamento e plano de atividades para 2026.

Em 2025, o grupo registou um resultado líquido positivo de cerca de 4.366 euros, depois de em 2024 ter apresentado um saldo negativo de cerca de 5 mil euros.

“Os números deste ano ainda são modestos, mas são positivos em relação ao ano passado. Isto resulta do trabalho junto das entidades, do apelo aos sócios para pagarem as quotas e da contenção de despesas. Temos de gerir o dinheiro conforme os apoios que nos são atribuídos”, detalhou.

Em termos financeiros, foi salientando que os valores recebidos em quotas passaram de 3.476 euros em 2024 para 4.303 euros em 2025, enquanto a consignação do IRS subiu de 1.590 para 2.009 euros

Para este ano, o grupo prevê realizar um colóquio sobre a dádiva de sangue, participar em atividades da FAS, celebrar o aniversário do grupo, manter a caminhada solidária e continuar a apostar na sustentabilidade financeira.

Vítor Santos revelou ainda que o grupo vai solicitar à autarquia a instalação de um DAE (Desfibrilhador Automático Externo), considerando-o essencial para a segurança da instituição.