O Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP) retirou a confiança política aos três primeiros elementos da lista que elegeu para a Assembleia Municipal da Covilhã — José Páscoa, Paulo Rosa e Ana Branco — acusando-os de falta de lealdade para com o movimento que os levou à eleição.
Em conferência de imprensa, Carlos Martins, líder do MIPP, esclareceu que o movimento não impõe orientações aos seus eleitos, mas frisou que a lealdade ao projeto político e ao símbolo que os elegeu é um princípio essencial, o que, segundo o responsável, não está a ser cumprido por estes três membros da Assembleia Municipal.
Carlos Martins afirmou que existe “uma falta de lealdade institucional pelo movimento que os elegeu”, sublinhando que, apesar de os eleitos serem livres no exercício do mandato, deixaram de representar politicamente o MIPP.
O líder do movimento explicou ainda que não pretende afastar formalmente ninguém, mas considera que, a partir deste momento, os três eleitos já não representam o MIPP, acusando-os de não apresentarem propostas concretas alinhadas com os princípios do Movimento, quer para as pessoas, quer para as freguesias do concelho.
Carlos Martins defendeu também que estes elementos foram eleitos pelos cidadãos com base no símbolo do Movimento e não em nomes individuais, considerando, por isso, que a atitude mais responsável do ponto de vista democrático seria a renúncia voluntária ao mandato.
“O maior favor que poderiam fazer à democracia e ao concelho da Covilhã era a renúncia do mandato, de forma livre e responsável, como alguns já fizeram”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas sobre se a votação favorável destes eleitos ao orçamento municipal terá sido a “gota de água” para a tomada de posição do movimento, Carlos Martins confirmou que esse foi um dos fatores, embora não o único.
“Também foi, mas já digamos que o menos bom dessas pessoas já vinha de trás”, disse, acrescentando que o afastamento entre o movimento e estes eleitos se verificou logo após a noite eleitoral, referindo a ausência de comunicação e participação no grupo interno do MIPP e em reuniões.
O líder do movimento garantiu ainda que o MIPP não sai fragilizado com esta situação, mesmo que venha a ficar sem representantes na Assembleia Municipal, recorrendo a uma metáfora para justificar a decisão.
“Quando há uma maçã podre, essa maçã é retirada. A saída desses indivíduos não fragiliza o movimento. Se forem democratas, devem renunciar. Se não o fizerem, não são democratas”, afirmou, acrescentando que a voz do MIPP continuará a fazer-se ouvir, lembrando que qualquer cidadão pode intervir na Assembleia Municipal.
Carlos Martins sublinhou, por fim, que a lista apresentada pelo movimento à Assembleia Municipal tem elementos, a partir do quarto lugar, em condições de assegurar os três mandatos conquistados, restando agora que os três eleitos já afastados “se retirem de forma definitiva”, concluiu.
Carlos Martins afirmou ainda que o “MIPP continua vivo”, sublinhando que todos os eleitos nas freguesias, bem como ele próprio enquanto vereador, continuam a pugnar pelos princípios que estiveram na base da criação do movimento. Acrescentou que, no que diz respeito à lista para a Câmara Municipal, “não há qualquer mal-estar”, explicando que, durante o período em que esteve impedido de participar nas reuniões do executivo, foi substituído pelo número cinco da lista, devido a constrangimentos profissionais dos restantes elementos, ressalvando o caso específico de José Armando Serra dos Reis que renunciou.
