Município reivindica realização da prova nacional de acesso à formação especializada de medicina na Covilhã

A Câmara Municipal da Covilhã defende o regresso da Prova Nacional de Acesso à Formação Especializada em Medicina à Universidade da Beira Interior (UBI), considerando que a atual centralização do exame penaliza os estudantes do Interior e contraria princípios de equidade, justiça social e coesão territorial.

A posição está expressa numa moção apresentada pelo presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, e aprovada por unanimidade na reunião do executivo municipal realizada a 15 de janeiro. O documento será agora remetido ao Governo e às entidades oficiais competentes.


Recordando que a Covilhã, cidade onde existe um curso de Medicina, já foi local de realização desta prova — situação alterada em 2019 no contexto da pandemia — o autarca considera que “é de inteira justiça” que a cidade volte a integrar a rede de locais oficiais do exame. Segundo Hélio Fazendeiro, existem na UBI “condições académicas, logísticas e infraestruturais adequadas” para acolher a prova.

“O regresso desta prova nacional à Covilhã é um fator importante de coesão territorial”, sublinhou o presidente da autarquia, alertando para os custos acrescidos que os estudantes do Interior enfrentam ao terem de se deslocar, maioritariamente, para cidades do litoral.

A moção destaca que esta centralização tem “impactos objetivos e desproporcionais” sobre os alunos, nomeadamente ao nível das despesas com transporte e alojamento, do desgaste físico e emocional e da ausência de redes de apoio num momento de elevada exigência académica. O documento aponta ainda para o risco de agravamento de “desigualdades estruturais associadas à interioridade” e para uma eventual desvalorização do ensino médico fora dos grandes centros urbanos, em particular na UBI.

Entre os argumentos apresentados, a autarquia defende que a localização geográfica não deve constituir um fator de penalização no acesso à formação médica especializada, salientando que a fixação de jovens qualificados em todo o território nacional depende de políticas públicas que assegurem igualdade de oportunidades.

A moção reafirma, por fim, a total disponibilidade do Município da Covilhã para colaborar institucionalmente com o Governo, nomeadamente na identificação e disponibilização de infraestruturas municipais para a realização da prova, reforçando o compromisso com o ensino superior, com a valorização da Universidade da Beira Interior e com o desenvolvimento equilibrado do território nacional.