O Museu de Arte Sacra da Covilhã inaugurou, no passado domingo, a exposição “Expressões do Fantástico”, dedicada ao Figurado de Barcelos, uma das mais emblemáticas expressões da herança cultural portuguesa.
Segundo a nota de imprensa, a iniciativa insere-se na divulgação dos valores e costumes da cultura nacional e apresenta peças da autoria de Pedro e Vítor Esteves da Mota, conhecidos como Irmãos Pinga – Geração Mistério. A mostra está patente até 02 de março, na Sala das Temporárias do Museu de Arte Sacra da Covilhã, podendo ser visitada de terça-feira a domingo, das 10:00 às 18:00, com entrada livre.
A exposição reúne obras que refletem “a verdadeira essência do Figurado de Barcelos”, caracterizadas por uma paleta cromática vibrante e por um estilo que oscila entre o ingénuo e o caricatural, conforme refere a nota de imprensa. As peças distinguem-se ainda pela tipologia das representações, enquadradas no universo do fantástico, elemento que torna esta tradição artesanal única e fortemente representativa da identidade cultural portuguesa.
Os Irmãos Pinga integram a chamada Geração Mistério, herdeira de um saber transmitido ao longo de várias gerações. Naturais da freguesia de Galegos (São Martinho), no concelho de Barcelos, Vítor Domingues Esteves da Mota (1970) e Pedro Miguel Esteves da Mota (1977) são netos e filhos de artesãos ligados ao barro, tendo aprendido desde cedo a modelar e pintar figuras inspiradas no imaginário popular.
Ainda de acordo com a nota de imprensa, embora sempre tenham produzido peças em barro, foi apenas a partir de 2019 que os dois irmãos passaram a dedicar-se de forma mais consistente ao Figurado de Barcelos. Entre as criações mais marcantes destacam-se obras como “O Bem e o Mal”, uma figura híbrida que funde um diabo e uma boneca, símbolo da originalidade e ousadia estética da dupla.
Para além das figuras de carácter fantástico, os Irmãos Pinga mantêm viva a produção dos tradicionais assobios de Barcelos, como cucos, rouxinóis e ocarinas, bem como pífaros, peças sonoras profundamente enraizadas nas feiras e romarias da região.
