A regeneração urbana é uma das prioridades do mandato autárquico e um compromisso assumido em campanha que será cumprido, garantiu Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, durante a Assembleia Municipal.
“É nossa intenção fazer uma intervenção contínua naquilo que é a requalificação dos passeios, das acessibilidades, do espaço público, das pracetas, digamos, na regeneração urbana. Esta é uma das prioridades do mandato que assumimos em campanha, que honraremos naquilo que é o nosso exercício de funções”, afirmou o autarca.
A declaração foi feita no âmbito do debate entre os Grupos Municipais sobre a “Requalificação do Espaço Urbano”.
O Grupo Municipal do PS, que propôs o tema para o primeiro debate entre grupos municipais, reconheceu que muito já foi feito no concelho, mas alertou que ainda há um longo caminho a percorrer, defendendo a necessidade de uma atuação conjunta entre o município e os privados, sublinhou Pedro Bernardo.
“Se muito já foi feito, é certo que muito ainda há por fazer. Como referi no início da minha intervenção, no concelho da Covilhã este tema assume particular exigência na sua ação prática. No entanto, se existe lição aprendida ao longo do tempo é que apenas em conjunto — município e privados, município e freguesias ou ainda municípios e associações — é possível dar resposta aos desafios da reabilitação urbana”, vincou.
Já o Grupo Municipal do PSD criticou o estado da rede viária, das escolas, da habitação, das ribeiras e do Parque da Goldra. No que diz respeito à habitação, António Saraiva defendeu a necessidade de “mais habitação social” e de “mais habitação para rendas acessíveis”.
Sublinhou ainda que “não basta requalificar, é necessário um projeto a longo prazo para pensar melhor a nossa malha urbana”.
“Não chega requalificar, é necessário trazer investimento, emprego e fixar jovens para termos uma cidade mais atrativa, mais limpa e mais acessível”, acrescentou.
Pelo Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP), José Páscoa defendeu que é essencial tornar a cidade funcional para que seja apropriada pelas pessoas, garantindo mobilidade para todos. Destacando o trabalho desenvolvido pelo curso de Arquitetura da UBI, criticou o planeamento feito “à biscate” na Covilhã, afirmando que essa prática tem de terminar.
“É urgente ativar este recurso, solicitando-lhe um projeto global e, posteriormente, projetos setoriais. Uma requalificação dos espaços urbanos não se pode fazer sem ter uma visão integrada para todo o conjunto urbano: onde estamos, para onde vamos e como vamos.” Acrescentou ainda que “a requalificação urbana é muito mais do que reabilitação. A requalificação urbana necessita de uma ideia global multidisciplinar para toda a cidade e espaços urbanos. Não basta colocar chips e eletrónica nos semáforos para dizer que somos uma smart city. Antes da esperteza dos chips, precisamos da inteligência das pessoas e de pensar a cidade globalmente”, apontou.
João Bernardo, pelo Grupo Municipal do CDS, criticou o executivo socialista por não apresentar soluções, insistir nos erros do passado e tratar o espaço urbano de forma “displicente e desconsiderada”.
“Aquilo que vemos é que estamos a cometer o mesmo erro do passado, que é dizer que estamos a fazer tudo bem, que estamos a investir, que já fizemos tudo bem e que continuamos a fazer tudo bem. Quando, na verdade, aquilo que vemos é a realidade inabalável de todos os dias, de quem anda na Covilhã e constata o estado dos passeios, dos espaços verdes e da limpeza das estradas. Choca à vista de toda a gente a quantidade de folhas que ficam dias e dias amontoadas nas estradas e nas ruas do concelho”, criticou.
Concluiu defendendo que a autarquia deveria disponibilizar um plano de intervenção para as estradas e para os passeios.
O Chega criticou a reabilitação urbana realizada no passado, considerando que não resolveu os problemas da cidade, nomeadamente ao nível do usufruto do espaço público e da utilização das habitações requalificadas.
Apontou a existência de “espaços requalificados rodeados por zonas degradadas, falta de continuidade urbana e melhoria estética sem impacto estrutural nos bairros”. Como exemplo, referiu “a requalificação da Avenida Frei Heitor Pinto, enquanto ruas secundárias próximas continuam degradadas”.
O partido criticou ainda o “foco excessivo no espaço físico e pouco social”, apontando consequências como “bairros qualificados, mas sem vida, continuação do abandono habitacional, falta de comércio local e serviços”. Referiu também a “reabilitação sem fixação da população”, associada à perda demográfica e ao envelhecimento, sublinhando que “a requalificação urbana não tem sido suficiente para fixar novos residentes”.
Francisco Farias concluiu a intervenção manifestando esperança de que esta realidade se altere no atual mandato.
Por fim, Mónica Ramoa, pelo Grupo Municipal do PCP, defendeu que o planeamento urbano deve ser feito para as pessoas, com o objetivo de melhorar as suas vidas, sublinhando que na base estão sempre decisões políticas.
“A cidade não é neutra, a cidade toma partido: cada rua, cada prédio reabilitado, cada bairro esquecido ou cuidado diz-nos quem importa e quem pode ser descartado. Quando falamos de requalificação do espaço urbano, não falamos apenas de obras, falamos de como se vive, de quem fica e pode ficar e de quem é empurrado para fora.”
“Requalificar o espaço urbano não é valorizar o metro quadrado. É valorizar a vida. É dizer que a habitação é um direito e não um ativo financeiro. É dizer que reabilitar não é despejar. É dizer que melhorar não pode significar excluir, como já aconteceu em muitas outras cidades”, vincou a eleita.
O debate decorreu na Assembleia Municipal de dia 29.
