Transportes na Covilhã: autarquia planeia mudanças, reformados pedem gratuitidade

A Câmara Municipal da Covilhã reuniu ontem à tarde com a Inter-Reformados da União dos Sindicatos de Castelo Branco e associações de reformados, para analisar a situação dos transportes públicos no concelho, em particular a reivindicação de transportes gratuitos para os reformados.

No final do encontro, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, classificou a reunião como positiva, mas explicou à Rádio Clube da Covilhã que a gratuitidade total dos passes ainda não pode ser aplicada.


O autarca reconheceu que a gratuitidade dos transportes para os reformados, nomeadamente para pessoas com mais de 65 anos, é uma ambição legítima, que a autarquia “compreende e acompanha”. No entanto, sublinhou que essa medida só poderá ser avaliada depois de realizado um trabalho técnico e financeiro de base. Ficou, por isso, acordado que haverá reuniões regulares para acompanhar a evolução da oferta e dos custos dos transportes públicos e para, em momento oportuno, avaliar se existem condições para avançar para a gratuitidade.

“A gratuitidade dos passes para os reformados é uma ambição que compreendemos, mas que só pode ser concretizada depois deste trabalho de base ser feito”, afirmou Hélio Fazendeiro à RCC.

O presidente da Câmara voltou também a sublinhar que a estratégia do município passa por ter mais e melhores transportes e por criar um passe municipal no valor máximo de 30 euros, à semelhança do que acontece nos grandes centros urbanos.

Segundo Hélio Fazendeiro, a mobilidade é uma prioridade da governação municipal. A Câmara pretende aumentar a oferta no espaço urbano, requalificar rotas e horários e reforçar os transportes que servem as freguesias rurais. O objetivo é, em simultâneo, melhorar o serviço e reduzir o custo para os utilizadores, lutando por um passe municipal fixado nos 30 euros.

“Queremos mais serviço, melhor serviço e um passe municipal de 30 euros, como existe noutros centros urbanos”, sublinhou.

Apesar das intenções assumidas, o autarca não quis comprometer-se com prazos concretos. Referiu apenas que se trata de um compromisso político para o atual mandato e que, se for possível, a medida será aplicada logo no início de 2026.

“Se eu puder concretizar esta medida nos primeiros seis meses de 2026, não a deixarei para depois, mas neste momento não posso assumir um prazo”, afirmou.

Do lado da Inter-Reformados, a estrutura sindical divulgou uma nota de imprensa onde lembra que a Câmara tem o dever de cumprir o compromisso assumido em 2025 pelo anterior presidente, Vítor Pereira, que prometeu a implementação da gratuitidade e a redução global dos preços dos transportes até ao final do mandato, o que acabou por não acontecer.

Na nota dão conta que, tendo em conta as medidas que a autarquia está a estudar, nomeadamente uma reorganização dos transportes suburbanos, com o objetivo de criar um passe único até 30 euros para as freguesias rurais e a gratuitidade para os beneficiários do Cartão Social Municipal, ficou acordado que dentro de dois meses haverá uma nova reunião, depois de realizados os estudos financeiros e técnicos necessários para avaliar o impacto destas medidas.

A Inter-Reformados chamou ainda a atenção para as más condições de alguns autocarros, problemas de horários e a má localização de algumas paragens, questões que o presidente da Câmara registou para eventual correção, frisa a nota.

Na nota final, a estrutura sindical afirma que continuará atenta e interventiva, sublinhando a necessidade do apoio da população, dos trabalhadores e dos reformados para garantir que os compromissos assumidos venham a ser cumpridos.