O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, alertou que o reforço do Orçamento com a incorporação do saldo de gerência de 2025, aprovado ontem na Assembleia Municipal, “não vai ser dinheiro suficiente para resolver todos os problemas” do concelho.
“Estamos em fevereiro de 2026 e o dinheiro que hoje aqui incorporamos (…) não vai ser suficiente para resolver todos os problemas que nós temos”, afirmou o autarca, sublinhando, contudo, que o documento permitirá “materializar aquilo que são as prioridades definidas, não só para este ano, mas também para o mandato”.
A alteração eleva o orçamento municipal de 69,1 milhões para 89,9 milhões de euros, integrando um saldo de gerência superior a 18 milhões de euros e uma candidatura de cerca de 2,4 milhões para modernização administrativa e digital, que inclui investimento em cibersegurança, digitalização documental e a criação de um Balcão Único Móvel para aproximar os serviços municipais das freguesias mais distantes.
Durante o debate, Marco Gabriel (PCP) detalhou que 12 milhões de euros correspondem a incremento de despesas correntes — com destaque para aquisição de bens, serviços, transferências e subsídios — e 8,1 milhões a despesas de capital, incluindo verbas para instalações desportivas, arruamentos e equipamentos.
O eleito comunista criticou a concentração de investimentos na cidade e considerou que o documento aposta sobretudo na “reparação, conservação e manutenção do que existe”, lamentando a ausência de “novos projetos e investimentos”.
Ana Branco (MIPP) questionou o reforço do investimento na Piscina Municipal, que ascende a cerca de 1,6 milhões de euros, perguntando se “faz sentido continuar a investir valores desta dimensão numa infraestrutura que tem apresentado problemas estruturais recorrentes”. A deputada quis ainda saber se foi ponderada a construção de uma nova piscina e pediu esclarecimentos sobre a requalificação do Campo nº 2, os critérios para intervenção em arruamentos nas freguesias e a reduzida verba para parques infantis.
Na resposta, Hélio Fazendeiro defendeu que seria “uma irresponsabilidade travar essa obra e desperdiçar as centenas de milhares de euros que já lá tinham sido investidos”.
O autarca revelou que foram aprovados trabalhos complementares para corrigir um défice estrutural de seis centímetros que impedia a homologação da infraestrutura para provas oficiais. Admitiu, ainda assim, que “é necessária uma nova infraestrutura de piscina” e manifestou a expectativa de dar “passos significativos” nesse sentido durante o mandato, prevendo a reabertura da atual piscina no início do próximo ano letivo.
Quanto ao Campo nº 2, confirmou a intenção de substituir o relevado natural por sintético, justificando que “é absolutamente impossível” manter relvados naturais com a atual carga de utilização. O investimento previsto é de 500 mil euros, podendo estender-se a 2027. O presidente destacou também verbas para estradas, aquisição de maquinaria, reforço das transferências para juntas de freguesia — incluindo novos protocolos — e intervenções no espaço público, habitação e regeneração urbana.
Catarina Mendes (PS) considerou que a alteração permite perceber “quais as prioridades do Executivo para este ano e, em alguns aspetos, até para o mandato”, destacando o reforço de verbas para refeições escolares, freguesias, instituições sem fins lucrativos, infraestruturas desportivas, parques e jardins e arruamentos, apontando sinais de preocupação com coesão territorial, juventude e qualidade de vida.
O ponto foi aprovado com 35 votos a favor (PS e Juntas de Freguesias), 9 abstenções (PSD, Chega e CDS) e 4 votos contra (PCP e eleita Independe).
Na declaração de voto, Magna Lourenço (independente) justificou o voto contra por entender que a alteração “poderá representar um acréscimo de responsabilidades financeiras permanentes” suscetível de fragilizar as contas municipais, defendendo maior prioridade para áreas como creches, lares, apoio domiciliário e saúde.
Rui Amaro, presidente da Junta de Freguesia do Peso, votou favoravelmente, afirmando tratar-se de “um voto de confiança” no primeiro ano de mandato de Hélio Fazendeiro enquanto presidente da Câmara.
Já o grupo municipal do Chega optou pela abstenção, considerando que a proposta corrige parcialmente um orçamento que classificara como subdimensionado, mas mantendo “reservas quanto ao método e à consistência do processo orçamental”.
