A Associação de Diabéticos da Serra da Estrela (ADSE) passou a integrar oficialmente a Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes, sendo o polo do centro desta instituição, na sequência de um protocolo assinado no sábado, dia 7. A parceria representa, antes de mais, uma vantagem clara para a associação da região, que ganha maior visibilidade, acesso a conhecimento especializado e capacidade de intervenção para além da Cova da Beira. Em segundo plano, a própria Federação vê reforçada a sua representatividade no interior do país, passando a contar com uma estrutura ativa numa zona até agora “um bocadinho esquecida”.
Para Vítor Fazendeiro, presidente da ADSE, esta integração “aumenta a responsabilidade, mas também a visibilidade e a partilha”. O dirigente sublinha que a associação passa a ter acesso direto a conhecimento e estratégias nacionais, reforçando a literacia em saúde e a divulgação junto da comunidade:
“Vamos buscar mais conhecimento através da partilha ao nível da literacia, da divulgação, e a Federação vai partilhar também esse nosso trabalho a nível nacional.”
Até agora, a ADSE acompanhava sobretudo diabéticos da Covilhã, Fundão e concelhos limítrofes. Com o protocolo, a associação passa a estar preparada para receber pessoas de qualquer ponto do país.
“Qualquer diabético que nos procura, nós temos a responsabilidade de dar respostas convincentes”, afirma Vítor Fazendeiro.
Os casos mais complexos passam a ser encaminhados para a Federação, que os reporta a instâncias superiores, numa lógica de trabalho em rede. “Vai ser uma responsabilidade local e também nacional”, explica o presidente, lembrando que a Federação está a criar polos noutras zonas do país para garantir uma resposta mais articulada.
A dimensão do problema na região é expressiva. Segundo declarações de Vítor Fazendeiro só no concelho da Covilhã existem cerca de 5 mil diabéticos, e na Cova da Beira o número sobe para 8.300. A nível nacional, estima-se que haja 1,3 milhões de pessoas com diabetes.
Em 2025, foram registados 81 mil novos casos em Portugal, dos quais 5,8% dizem respeito a jovens entre os 8 e os 25 anos. Para além disso, cerca de 20% dos portugueses vivem com diabetes sem saber, uma realidade que também se verifica na Cova da Beira.
A associação acompanha atualmente 254 associados, mas presta apoio a todos os que a procuram, mesmo que não sejam sócios. “É nosso dever prestar esse serviço à comunidade”, refere o dirigente.
Um dos aspetos mais preocupantes é o aumento de casos em idades cada vez mais baixas. “Temos jovens de 12, 14 e 16 anos já com bombas de insulina”, revela Vítor Fazendeiro, acrescentando que, há poucos anos, esta realidade era praticamente inexistente. A associação integra agora uma equipa nacional dedicada à diabetes tipo 1 em crianças e jovens, com foco na prevenção e no acompanhamento.
A importância dos rastreios é outra das mensagens centrais desta parceria. Num rastreio recente promovido pela ADSE, foram realizados 84 testes, dos quais resultaram 7 a 8 novos casos de pessoas que desconheciam ter a doença. Todas foram de imediato encaminhadas para acompanhamento clínico.
Os sinais de alerta incluem sede intensa, vontade frequente de urinar, cansaço, transpiração excessiva e alterações na boca e nos lábios. “O importante é participar nos rastreios”, reforça o presidente.
Do lado da Federação, o protocolo representa também um reforço estratégico. Eduardo Nata, presidente da estrutura nacional, explica que atualmente existem 15 associações integradas, com mais de três mil associados formalmente referenciados, distribuídos de norte a sul do país, incluindo Açores e Madeira.
Para o responsável, esta nova ligação permite “juntar a voz dos diabéticos e a quantificação dos casos da Cova da Beira” para influenciar decisões da Direção-Geral da Saúde, do Infarmed e do Governo.
“Queremos que as decisões não sejam feitas apenas em função de tecnocratas, mas tendo em atenção as realidades locais.”
A Federação destaca ainda a importância do acesso às novas tecnologias, como bombas de insulina e sensores de glicemia, e da simplificação dos processos burocráticos que muitas vezes atrasam a sua atribuição.
Eduardo Nata considera que a ADSE traz “força, garra e energia” à Federação, ajudando a construir uma rede mais coesa e com maior capacidade de reivindicação.
“Estes protocolos servem para ganhar escala e reivindicar mais”, afirma.
Com esta integração, a luta contra a diabetes na Cova da Beira ganha dimensão nacional — e a Federação passa a ter no interior do país um parceiro ativo na promoção da prevenção, do diagnóstico precoce e da literacia em saúde.
