Autarquia admite relocalização da Feira de São Tiago, mas afasta mudança no imediato

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, reconhece que a Feira de São Tiago deverá, a médio prazo, sair do Complexo Desportivo, mas considera inviável qualquer mudança no curto prazo. O autarca sublinha que a relocalização é “desejável e inevitável”, embora dependa de um planeamento mais amplo do município.

O tema esteve em debate na reunião privada da Câmara Municipal da Covilhã, esta sexta-feira, dia 6, a propósito da aprovação das normas de participação no certame. Os vereadores da oposição foram unanimes ao apontarem outra localização, mas sugerindo locais diferentes.


Aos jornalistas, no final da reunião, Hélio Fazendeiro, aponta que a atual localização da feira levanta constrangimentos evidentes, desde o ruído ao estacionamento, passando pelo impacto na envolvente residencial e na utilização do complexo. “Está hoje num espaço que tem outra finalidade, que é o complexo desportivo, e que tem outro tipo de condicionantes”, afirmou, lembrando que esta posição já era defendida por si ainda enquanto candidato.

Para Hélio Fazendeiro, a solução não passa por uma simples mudança de recinto, mas pela criação de um novo espaço multifuncional. O autarca defende a necessidade de um parque da cidade, com dimensão suficiente para acolher eventos de grande escala, mas também pensado para o usufruto diário das famílias, com condições de acesso, segurança e estacionamento, e com o afastamento necessário das zonas habitacionais.

Apesar desta visão estratégica, o presidente da Câmara foi claro ao afirmar que não existem, neste momento, alternativas viáveis. “Não me parece exequível e viável que a feira mude de um momento para o outro”, afirmou.

Sobre as propostas apresentadas pelos vereadores, considerou que o Campo das Festas, apontada por Daniela Fernandes, vereadora do MIPP, e a zona da Anil, que segundo referiu Hélio Fazendeiro é defendida por Eduardo Cavaco (CDS/IL),  não reúnem condições, quer pela dimensão, quer pela proximidade às habitações e falta de estacionamento.

Também a hipótese do antigo aeródromo, defendida por Jorge Simões, foi afastada por Hélio Fazendeiro. O autarca explicou que o local não dispõe das infraestruturas necessárias para acolher a feira no imediato e recordou que aquele espaço está destinado, em termos de planeamento, à instalação de empresas que densifiquem o polo empresarial onde está localizado o Data Center.

Ao mesmo tempo, Hélio Fazendeiro garante que a realização da Feira de São Tiago continuará a ser compatibilizada com a requalificação do Complexo Desportivo. Reiterou o compromisso de melhorar, de forma faseada, as infraestruturas desportivas, assegurando que este evento, considerado um dos mais importantes do calendário municipal e regional, não inviabiliza esse objetivo.

Jorge Simões, nesta matéria, questiona a coerência do executivo. Embora reconheça o valor cultural e económico da Feira de São Tiago, considera contraditório afirmar que se quer devolver o complexo ao desporto e, ao mesmo tempo, manter ali um evento que condiciona todo o mês de julho.

Para o social-democrata, as montagens e desmontagens da feira tornam os campos inutilizáveis e degradados, afetando clubes, atletas e famílias. Defendeu ainda que o desporto continua a não ter prioridade na utilização do espaço.

Jorge Simões insiste que o antigo aeródromo deveria, pelo menos, ser avaliado como alternativa, por considerar que reúne melhores condições logísticas e menos impacto sobre moradores e unidades hoteleiras da cidade.