A Câmara Municipal de Belmonte vai avançar com uma auditoria externa — de natureza forense — às contas do município, anunciou esta sexta-feira o presidente da autarquia, António Luís Beites, durante a reunião pública do executivo.
A decisão surge na sequência de uma recomendação aprovada por unanimidade na última Assembleia Municipal e após a estabilização do processo de apuramento financeiro da autarquia.
Segundo o autarca, o município aguardou pela consolidação das contas antes de iniciar o procedimento. António Luís Beites explicou que, após o fecho das contas reportadas a 3 de novembro, continuaram a ser registadas faturas relativas a períodos anteriores, o que impossibilitou o arranque imediato da auditoria.
“Neste momento, agora sim, com este apuramento todo que já temos feito, estamos claramente em condição de avançar com a auditoria e é o que iremos fazer, contratar o processo nos próximos dias”, afirmou.
O presidente revelou ainda que a autarquia já celebrou quatro acordos para regularização de dívida, prevendo formalizar mais dois ou três, todos com horizonte de pagamento até ao final do presente ano civil. Admitiu, contudo, que o cumprimento destes compromissos representará “um constrangimento financeiro” para o município ao longo de 2026.
Quanto ao âmbito temporal da análise, António Luís Beites defendeu que a auditoria deverá concentrar-se no período posterior ao processo de saneamento financeiro do município, considerando que as contas anteriores já terão sido avaliadas e aprovadas pelos órgãos municipais aquando desse processo.
O objetivo será, assim, apurar a evolução financeira da autarquia após essa fase, clarificando responsabilidades e a situação real das contas municipais.
Durante a reunião, o vereador da coligação PSD/CDS, Humberto Barroso, recordou que a proposta inicialmente apresentada pela bancada social-democrata previa especificamente a realização de uma auditoria forense.
O autarca questionou igualmente quais os anos que serão abrangidos pela análise e manifestou satisfação pelo avanço do processo.
“O povo de Belmonte anseia pelo resultado dessa auditoria (…) nada melhor do que fazer um ponto de situação e saber o apuramento dos valores e das responsabilidades”, afirmou.
À margem da reunião, confrontado pelos jornalistas sobre se o procedimento será efetivamente uma auditoria forense, António Luís Beites confirmou que sim, remetendo quaisquer conclusões para o trabalho dos auditores independentes.
“Não me cabe a mim estar a avaliar este tipo de questões. Para isso é que servem os auditores”, declarou.
