Cavaco denuncia degradação no estaleiro municipal da Boidobra. CMC reitera compromisso de intervenção

O estado do estaleiro municipal da Boidobra foi alvo de críticas por parte do vereador Eduardo Cavaco, da coligação +Covilhã (CDS/IL), durante a reunião da Câmara Municipal da Covilhã.

O vereador relatou as conclusões de uma visita ao espaço, integrada num périplo que tem vindo a realizar pelas instalações municipais.


“Como sabem, estou a fazer um périplo pelas instalações do município e visitei o Estaleiro Armazém da Boidobra. O que vi não pode continuar a ser ignorado”, afirmou.

Segundo Cavaco, trata-se de uma área “ampla, com dimensão e potencial”, mas onde encontrou “desorganização, degradação e falta de decisão política”. Descreveu um armazém onde “chove como na rua”, incluindo no gabinete de um funcionário e nas zonas onde deveriam estar protegidos equipamentos e materiais municipais, considerando que “isso não é aceitável”.

O vereador alertou ainda para a cobertura em amianto, cuja substituição “foi permitida há anos” e continua por resolver.

No exterior, referiu a existência de viaturas municipais em estado de abandono, cobertas de silvas, questionando por que motivo, se estão destinadas a abate, ainda não foram encaminhadas para sucata. A situação, disse, transmite “uma imagem de desleixo que envergonha qualquer município”.

Cavaco apontou também a presença de 53 viaturas removidas da via pública, algumas desde 2021, defendendo que em muitos casos os prazos legais estão ultrapassados. “O custo diário para estar aqui nos terrenos do município custa 12 euros e meio. Já excedeu em várias situações o próprio valor das viaturas”, afirmou, concluindo que se trata de desperdício de recursos públicos e degradação ambiental.

Na intervenção final, referiu ainda a existência de “centenas, talvez milhares de telhas retiradas das escolas da Corda do Rio”, armazenadas sem destino, sugerindo que poderiam ser objeto de uma ação solidária para regiões do país com dificuldades.

Na resposta, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, afirmou não ter “muito mais a acrescentar”, reiterando o compromisso de melhorar as condições de trabalho dos serviços municipais. Esclareceu que não está em causa “a instalação de uma infraestrutura municipal”, mas sim “um espaço exterior, um estaleiro municipal”, sublinhando que “não é um edifício”.

Quanto às viaturas, explicou que se trata de carros retirados da via pública e armazenados no estaleiro até serem alienados pelos mecanismos legais, nomeadamente por hasta pública. “Não vejo que perturbem o que quer que seja, mesmo que estejam lá há mais de 60 dias”, afirmou, defendendo que estariam a causar maior transtorno se permanecessem na via pública.

Reconhecendo a necessidade de melhorias, o autarca concluiu: “Vamos procurar melhorar. É essa a nossa função.”