Eduardo Cavaco acusa CMC de “navegar à vista” na cultura. “Injusto e infundado” responde Hélio Fazendeiro

O vereador Eduardo Cavaco (CDS/IL) criticou duramente a política cultural da Câmara Municipal da Covilhã, em particular a programação do Teatro Municipal da Covilhã (TMC), considerando que a cultura tem sido desvalorizada pelo atual executivo. Em resposta, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, classificou as declarações como “injustas e infundadas”, defendendo o trabalho desenvolvido.

Após a reunião privada da autarquia, Eduardo Cavaco afirmou aos jornalistas que “a cultura que devia ser um pilar de desenvolvimento do concelho é tratada como um assunto menor” e defendeu que o TMC deveria ter uma programação muito mais regular.


“Um teatro municipal como o TMC não pode funcionar com um ou dois espetáculos por semana. Se queremos ser uma cidade atrativa e cosmopolita, o mínimo são quatro espetáculos por semana”, sublinhou.

O vereador acrescentou que, na sua perspetiva, a Covilhã está a perder terreno face a outros municípios: “na nossa região, cidades mais pequenas têm hoje mais programação cultural do que a Covilhã”.

Eduardo Cavaco criticou ainda a falta de informação pública sobre os recursos financeiros do teatro. “É fundamental saber qual é o orçamento anual do teatro municipal, por uma questão de transparência e rigor”, defendeu, acusando o executivo de não apresentar uma estratégia clara.

“Após três mandatos de maioria absoluta e a entrar no quarto, continuamos a não ter uma política cultural clara, nem um plano estratégico para a cidade e para as freguesias. Continuamos a navegar à vista”, afirmou.

O vereador do CDS/IL defendeu também que “a formação se faz antes de assumir cargos de responsabilidade. Não se aprendem funções com o dinheiro dos contribuintes”, reiterando a necessidade de “concursos públicos claros e transparentes para cargos de direção e programação cultural”.

Apesar das críticas, Eduardo Cavaco destacou um aspeto positivo: “o lançamento do TMC Cinema, desenvolvido em parceria com a Universidade da Beira Interior, através do programa Ubicinema, que felicito”.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã rejeitou as acusações, considerando que os factos desmentem o vereador.

“Acho que é uma crítica injusta e infundada, que é desmentida pela realidade e pelos números”, afirmou Hélio Fazendeiro.

O autarca garantiu que o teatro tem seguido uma linha estratégica desde a sua reabertura: “o Teatro Municipal da Covilhã nunca esteve a navegar à vista. Teve uma direção que concretizou um rumo e uma estratégia política municipal”, lembrando que a sala esteve encerrada durante vários anos e foi reaberta após uma reabilitação profunda.

Segundo Hélio Fazendeiro, o TMC contribuiu para reforçar o papel da cidade na região: “devolveu à cidade e ao concelho uma sala de espetáculos extraordinária, com um conjunto de ações que reforçam o posicionamento da Covilhã como um dos principais centros culturais do interior”.

O presidente da Câmara referiu ainda que o executivo já apresentou ao vereador as linhas mestras da programação futura: “dei conta ao Executivo e ao Sr. Vereador da candidatura e das intenções para a programação e utilização do Teatro Municipal para 2026”, acrescentando que aguardam ainda o resultado dessa candidatura.

Hélio Fazendeiro destacou também a política de descentralização cultural: “temos um programa que permite às freguesias, nomeadamente às mais afastadas, trazer munícipes para participar e desfrutar dos espetáculos no Teatro Municipal e noutras infraestruturas”.

Apesar de reiterar o respeito pelo direito à crítica, concluiu: “não me parece que seja uma crítica justa”.