O Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes deu início oficial às comemorações do seu centenário, com um apelo claro ao futuro: uma nova sede, condigna e acessível, capaz de responder às crescentes necessidades dos ex-combatentes, sobretudo no apoio psicológico e social.
A ambição foi assumida por João Azevedo, presidente da direção do núcleo, em entrevista à margem da sessão solene que decorreu esta manhã. “Este ano, o grande desígnio seria uma sede nova. Não é que estejamos mal instalados, mas a mobilidade não é a melhor. Com a idade que os combatentes já têm, precisamos de um espaço condigno”, sublinhou. O dirigente revelou ainda que o núcleo é cada vez mais procurado, sobretudo pelo acompanhamento psicológico, prestado em articulação com uma psicóloga e uma assistente social.
Segundo João Azevedo, o envelhecimento dos ex-combatentes tem intensificado a procura por apoio: “Continuamos, e cada vez mais, a ser procurados.” O núcleo conta atualmente com cerca de 800 sócios e estima-se que existam cerca de 5 mil combatentes no concelho da Covilhã, num universo nacional de aproximadamente 250 mil.
O antigo sonho de criar um lar para ex-combatentes na cidade mantém-se vivo, apesar das dificuldades. “O sonho nunca termina, só quando está concretizado. As dificuldades são maiores, mas a necessidade também”, frisou.
As comemorações, que arrancaram agora, prolongam-se até 31 de maio, com um conjunto de iniciativas culturais e formativas. Entre os momentos mais aguardados está o lançamento de um livro histórico sobre o núcleo, da autoria de João Jesus Nunes, bem como uma palestra sobre stress pós-traumático.
Na sessão solene, Afonso Mesquita, presidente da Assembleia Geral do núcleo, destacou a dimensão simbólica do momento: “Não estamos apenas a cumprir um protocolo. Estamos a elevar 100 anos de história do núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes.”
O dirigente realçou que celebrar o centenário “não é apenas fazer arqueologia da memória, é celebrar a vitalidade atual deste núcleo”, lembrando que a instituição esteve encerrada durante várias décadas do século XX, até ser reaberta em 1981.
Fundado em 1926, o Núcleo da Covilhã nasceu no mesmo ano em que a Liga dos Combatentes adotou a sua designação atual, sucedendo à antiga Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Desde então, afirmou Afonso Mesquita, o núcleo tem sido “uma casa de solidariedade”, com especial atenção ao bem-estar médico, psicológico e social dos seus associados.
Ao longo de quase cinco décadas de atividade contínua após a reabertura, o núcleo desenvolveu uma intensa vida associativa: equipas de futebol, exposições, conferências, feiras de trocas, sessões de fados, torneios, programas de rádio, convívios e o Jornal do Combatente da Estrela marcaram gerações.
“Um povo que não honra quem o defende é um povo sem futuro”, afirmou Afonso Mesquita, encerrando o discurso com a declaração oficial de abertura das comemorações.
Cem anos depois, o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes olha para o passado com orgulho mas, sobretudo, para o futuro, com a esperança de uma nova sede que seja símbolo renovado de memória, dignidade e solidariedade.
João Flores Casteleiro, adjunto do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, em representação do Município, enalteceu o trabalho realizado nestas décadas, sublinhando que o Núcleo é o principal apoio a todos os ex-combatentes.
