Linha da Beira Baixa parada há semanas: Nuno Fazenda acusa Governo de esquecer o Interior

O deputado do Partido Socialista eleito pelo círculo eleitoral de Castelo Branco, Nuno Fazenda, denunciou, no Parlamento, que a Linha da Beira Baixa permanece interrompida desde 11 de fevereiro, sem qualquer solução alternativa para as populações.

“Convinha que alguém da bancada que apoia o Governo informasse que existe Beira Baixa, que a linha está interrompida, que não há nenhum transporte alternativo, que não há nenhum transporte de transbordo e não há sequer nenhuma máquina naquele território”, afirmou o deputado, acrescentando que “há mais país para além da A1”.


A intervenção ocorreu durante o plenário da Assembleia da República dedicado ao tema “Escudo Social: Proteger e reconstruir as comunidades nos concelhos afetados pelas tempestades”, onde o socialista criticou duramente o programa governamental “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR).

Segundo Nuno Fazenda, o documento apresentado pelo Governo “não passa de um plano de intenções”, classificando-o como um “plano vazio”, sem estratégia definida, prioridades claras, calendário ou orçamento. O deputado considerou ainda que a intenção de desenvolver o plano em apenas 30 dias “revela um profundo desconhecimento do que é planeamento sério”.

O parlamentar defendeu que Portugal já dispõe de instrumentos estratégicos relevantes para responder aos desafios da resiliência e competitividade, apontando exemplos como o Plano Nacional de Investimentos, o Plano Nacional da Água 2030, o Portugal 2030 e o Plano de Emergência e Proteção Civil para 2030.

“E o que estes planos têm em comum é o seguinte: foram feitos com tempo, com ciência, com o envolvimento de atores, das empresas, da academia. E esses planos é que têm de ser concretizados”, sublinhou.

Na sua intervenção, o deputado acusou ainda o Executivo de ter “falhado na prevenção e nas respostas de urgência aos portugueses” e de estar agora novamente a falhar nas medidas de recuperação e resiliência após os estragos provocados pelas tempestades.

Nuno Fazenda recordou também que o Partido Socialista apresentou dois projetos de resolução aprovados no Parlamento, contemplando medidas para agricultura, empresas, habitação e infraestruturas, defendendo que “compete ao Governo acolher as propostas da Assembleia da República para avançar”.

O socialista criticou igualmente o modelo de apoio às empresas afetadas, considerando insuficiente o recurso a empréstimos. “Aquilo que o Governo está a dar às empresas que foram devastadas não é apoios concretos, é dívida, é empréstimo. Ora, isso não são apoios concretos. Tem que haver apoios a fundo perdido”, afirmou.

A situação da Linha da Beira Baixa, concluiu, representa um exemplo das assimetrias territoriais que continuam por resolver, apelando a uma maior atenção do Governo às regiões do interior do país.