O orçamento municipal da Covilhã para 2026 foi reforçado para 89,9 milhões de euros, na sequência da primeira revisão orçamental, aprovada esta segunda-feira em reunião extraordinária da Câmara Municipal, com a abstenção de todos os vereadores da oposição.
No centro da alteração está a incorporação do saldo de gerência de 2025, no valor de 18,8 milhões de euros, a que se soma a aprovação de uma candidatura a fundos comunitários para a modernização administrativa, no montante global de 2,4 milhões de euros.
No final da reunião, o presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, afirmou que o objetivo do executivo que lidera é chegar ao final do ano com um saldo de gerência inferior ao que agora foi incorporado.
“A minha ambição e expectativa para 2026 é que consigamos estar daqui a um ano com um saldo de gerência menor do que aquele que é hoje incorporado”, sublinhou, defendendo uma execução “mais realista”.
Segundo o autarca, a revisão “não altera prioridades”, mas reforça as rúbricas já previstas no orçamento aprovado no final do ano passado.
“As prioridades políticas do mandato são aquelas que constavam do nosso compromisso eleitoral”, frisou, apontando, no entanto, que se ente mais confortável para as executar. “Estes recursos financeiros vêm alavancar aquilo que são os recursos financeiros que estavam provisionados no orçamento e que vêm dar melhores condições para que possamos avançar com estes projetos e com estas obras”, disse.
Com esta revisão, o orçamento passa de 69,1 milhões para 89,9 milhões de euros.
O presidente reafirmou que o reforço orçamental permitirá avançar com investimentos estruturantes: “Temos expectativa de este ano podermos reabrir a piscina municipal, melhorar as infraestruturas desportivas, requalificar estradas, rodovias e passeios.”
A autarquia prevê ainda celebrar protocolos com as juntas de freguesia para a requalificação do espaço público e reforçar a capacidade operacional do município para a pavimentação contínua da rede viária.
“O desejável seria chegarmos ao próximo ano com estes 89,9 milhões executados, mas há sempre circunstâncias imprevisíveis”, admitiu.
Apesar de reconhecerem reforços em áreas relevantes, os vereadores da oposição optaram pela abstenção.
O vereador do PSD, Jorge Simões, justificou a posição com a falta de informação detalhada:
“Não podia votar sem esclarecimentos verificáveis sobre rúbricas de grande impacto, como o reforço de 2,5 milhões de euros para empresas municipais e intermunicipais.”
Sobre a piscina municipal, criticou o aumento sucessivo dos custos: “Começou por 250 mil euros, passou para 919 mil e vamos acabar, para já, em 1 milhão 667 mil euros, detalhou.
Já Carlos Martins, vereador eleito pelo do MIPP, afirmou que o concelho “precisa de uma intervenção fantástica” em infraestruturas, mas lamentou a falta de planeamento em algumas obras, nomeadamente na piscina. Também justificou aos jornalistas que a abstenção se deve ao facto de, na pática, esta revisão não significar “receita nova”, apontando que “é dinheiro do passado a financiar o presente e não é estruturalmente sustentável”.
Por sua vez, Eduardo Cavaco, da coligação CDS/IL, classificou como “astronómico” o saldo de gerência: “Representa uma má gestão dos dinheiros públicos, porque se temos quase 19 milhões que transitam, quer dizer que essa verba não foi executada em prol da comunidade.”
Apesar das críticas, deixou uma nota de esperança: “Deposito alguma esperança no atual executivo para que até ao final de 2026 possamos ver concretizadas as obras que o concelho precisa”, concluiu.
