Agricultores da região alertam para agravamento da crise no setor e exigem medidas urgentes

A Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco (ADACB) lançou um alerta público sobre a situação crítica que atravessa o setor agrícola na região, denunciando o impacto acumulado de incêndios florestais, fenómenos meteorológicos extremos e do aumento generalizado dos custos de produção.

Em comunicado, a associação refere que muitos produtores ainda enfrentam as consequências dos grandes incêndios do verão passado, aos quais se juntaram recentes intempéries, como a tempestade Kristin, que causaram prejuízos significativos em explorações agrícolas e infraestruturas rurais. A estes fatores somou-se, nos últimos meses, a subida acentuada dos preços do gasóleo agrícola, fertilizantes e outros fatores de produção, agravada pelo contexto internacional de guerra, comprometendo a viabilidade económica de inúmeras explorações.


A ADACB critica a resposta do Governo, que considera tardia e insuficiente, acusando as autoridades de falharem na entrega atempada dos apoios prometidos aos agricultores. A associação defende que é essencial garantir que as ajudas chegam efetivamente aos produtores e que sejam priorizados investimentos na reparação e manutenção de caminhos rurais e florestais, considerados essenciais para o acesso às propriedades e para a atividade agrícola.

Outro dos pontos de preocupação apontados pela ADACB prende-se com a atuação das grandes superfícies comerciais. Segundo a associação, estas continuam a privilegiar a importação de produtos de origem animal e vegetal, em detrimento da produção nacional, dificultando o escoamento dos produtos portugueses a preços compensatórios e prejudicando a sustentabilidade económica do setor agrícola.

Entre as principais propostas apresentadas, a ADACB defende a implementação de um controlo mais eficaz do mercado energético, com especial incidência no gasóleo agrícola, de forma a travar a escalada dos custos de produção. A associação propõe ainda, em articulação com a Confederação Nacional da Agricultura, a criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes, rações e outros, com o objetivo de reduzir preços e garantir maior poder negocial aos agricultores.

A organização agrícola sublinha também a necessidade de reforçar a fiscalização e o combate à especulação nos preços dos combustíveis e matérias-primas, alertando que a maximização de lucros por parte de alguns agentes do setor agrava as dificuldades já sentidas pelos produtores.

A ADACB avisa que, sem medidas concretas e urgentes, o setor agrícola poderá enfrentar uma crise profunda, com impactos diretos na produção alimentar, na economia local e na soberania alimentar do país. A associação reafirma, por fim, o seu compromisso em continuar a defender os interesses dos agricultores e a promover um setor mais justo, sustentável e solidário.