A Câmara Municipal da Covilhã aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, uma moção que exige ao Governo e à Infraestruturas de Portugal a rápida reparação e reabertura integral da Linha da Beira Baixa, após a interrupção provocada pelos estragos causados pelas recentes tempestades junto ao rio Tejo.
O documento, apresentado pelo presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, foi aprovado na reunião privada do executivo municipal realizada hoje e reclama o restabelecimento urgente da circulação ferroviária e a reposição de uma oferta adequada de comboios para a região.
Entre as medidas aprovadas, o município exige ao Governo de Portugal e à Infraestruturas de Portugal “a rápida reparação e reabertura integral da Linha da Beira Baixa, garantindo o restabelecimento da normal circulação ferroviária no mais curto espaço de tempo possível”. A autarquia reclama ainda a reposição imediata de serviços Intercidades ou equivalentes que assegurem ligações eficazes entre Guarda, Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Lisboa.
A moção pede também a compatibilização de horários entre a Linha da Beira Baixa e a Linha da Beira Alta, de forma a garantir uma alternativa ferroviária para a região enquanto se mantiverem os constrangimentos e solicita medidas mitigadoras imediatas enquanto persistir a interrupção, nomeadamente reforço de serviços ferroviários e soluções alternativas que garantam a mobilidade das populações.
No documento, o executivo municipal recorda que “a Linha da Beira Baixa constitui uma infraestrutura ferroviária estratégica para a mobilidade, coesão territorial e desenvolvimento económico da Beira Interior”, sublinhando que durante décadas assegurou a ligação entre as populações do interior e os principais centros urbanos do país.
A autarquia alerta que a interrupção prolongada da linha, que levou à suspensão dos comboios Intercidades entre a Guarda e Abrantes, tem “graves consequências para a mobilidade das populações da região”, deixando na prática muitos habitantes impedidos de viajar de comboio até à capital.
Segundo a moção, a situação afeta diretamente milhares de pessoas que dependem do transporte ferroviário para trabalhar, estudar ou aceder a serviços essenciais. A redução da oferta ferroviária dentro da própria região é também apontada como um problema significativo.
O documento refere que, no troço entre a Covilhã e a Guarda, a circulação passou “de cerca de 10 comboios diários para apenas 4”, o que compromete deslocações diárias para consultas médicas, trabalho ou ensino.
A Câmara da Covilhã considera ainda preocupante o facto de a Linha da Beira Baixa ter ficado excluída dos investimentos previstos no Plano Ferroviário Nacional, defendendo a sua inclusão como infraestrutura estratégica para a região.
Para o município, o funcionamento pleno da linha ferroviária é essencial para combater o despovoamento do interior, promover a mobilidade sustentável e dinamizar a economia regional, incluindo o transporte de mercadorias e a exportação de produtos.
A moção será agora enviada ao Presidente da República, ao Primeiro-ministro, ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, à Infraestruturas de Portugal, à CP – Comboios de Portugal, bem como a entidades e autarquias da região da Beira Interior e aos grupos parlamentares da Assembleia da República.
Foto: Jorge Carvalho
