Cineclube Gardunha dedica março ao cinema de autor, à ecologia e à memória coletiva

O Cineclube Gardunha apresenta, em março, uma programação marcada por fortes ligações entre cinema, literatura e reflexão ambiental, reunindo obras aparentemente distintas, mas unidas por temas como a relação humana com a natureza, a memória e o imaginário. As sessões realizam-se maioritariamente às terças-feiras, pelas 21:00, na Moagem, com exceção das sessões dos dias 14 e 21, que decorrem noutros espaços.

A programação arranca no dia 3, na Moagem, com Justa, de Teresa Villaverde, numa sessão que contará com a presença da realizadora para uma conversa com o público. O filme parte dos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande, numa abordagem cinematográfica marcada pela emoção e pela reflexão coletiva. O elenco reúne nomes como Betty Faria e Filomena Cautela. O filme revisita a tragédia dos incêndios através de um olhar íntimo e sensorial sobre o luto e a devastação humana e ambiental.


No dia 14, às 15:00, a Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade acolhe a habitual sessão do Cineclube Júnior com a exibição do clássico História Interminável, realizado por Wolfgang Petersen e baseado na obra de Michael Ende. A proposta recupera um dos mais emblemáticos filmes de fantasia das décadas de 1980, dirigido a novas gerações de espectadores. A história acompanha um rapaz que, ao ler um livro mágico, entra num universo fantástico cuja existência depende da sua imaginação.

O ciclo Cinema e Ecologia — “Por todos os refúgios como a Gardunha!” prossegue no dia 21, com uma sessão especial nas Donas, na Casa das Memórias António Guterres. Em exibição estará A Parede, de Julian Pölsler, adaptação do romance de culto de Marlen Haushofer. A sessão será acompanhada por debate orientado por um convidado a anunciar. O filme segue uma mulher subitamente isolada por uma barreira invisível, confrontada com a sobrevivência e com os limites da relação entre humanidade e natureza.

A programação encerra a 24 de março, de regresso à Moagem, com Hot Milk, primeira longa-metragem realizada por Rebecca Lenkiewicz, baseada no romance homónimo de Deborah Levy. Ambientado em Almería, no sul de Espanha, o filme explora tensões familiares e processos de emancipação emocional. A narrativa acompanha uma jovem e a mãe que viajam em busca de cura para uma doença misteriosa, enquanto desejos reprimidos e conflitos latentes vêm à superfície.

Segundo o Cineclube Gardunha, o mês de março propõe um percurso cinematográfico atravessado por metáforas ecológicas, atmosferas intensas e universos fantásticos, reforçando o cinema como espaço de reflexão sobre o presente e os desafios do futuro.