Crianças são a chave da proteção civil: Covilhã aposta na educação para salvar vidas

A Câmara Municipal da Covilhã voltou a colocar as crianças no centro das iniciativas do Mês da Proteção Civil, numa estratégia que aposta na educação desde cedo como forma de preparar a população para agir em situações de emergência. O vereador com o pelouro da Proteção Civil, Luís Marques, defende que a aprendizagem da autoproteção nas escolas é essencial para criar cidadãos mais conscientes e capazes de reagir perante incidentes graves.

“A nossa aposta é claramente nas crianças, com as medidas de autoproteção nas escolas, com os simulacros de evacuação, para que elas comecem de pequeninas a terem conceitos de proteção civil e também a saberem o que fazer em caso de sinistro, de acidente grave ou de um sismo”, afirmou.


Durante uma ação realizada no pavilhão da ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios no âmbito do plano PotecCyl/CIM Região das beiras e Serra da Estrela, cerca de 500 crianças participaram numa formação dedicada a comportamentos de segurança e prevenção. O objetivo, segundo o autarca, é simples: “O foco é mesmo isso, é a autoproteção, é o que é que cada cidadão, cada criança pode fazer no caso de acontecer alguma coisa”.

Luís Marques sublinha que, em cenários de catástrofe, os meios de socorro nem sempre conseguem chegar imediatamente a todas as pessoas, tornando essencial que cada cidadão saiba como agir nos primeiros momentos.

“Os meios não chegam a todo lado, não há uma ambulância em cada casa, e é importante que as pessoas saibam como se proteger e tenham o seu kit de emergência preparado”, alertou.

A autarquia tem também reforçado o ensino do uso correto do número europeu de emergência, o 112, considerando que saber comunicar com os operadores pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

“Não basta saber ligar. É muito importante que as pessoas mantenham a calma e saibam responder às perguntas, dizer onde estão, o que está a acontecer e ouvir sempre os conselhos do outro lado”, explicou o vereador.

“É muito importante que saibam que primeiro a chamada 112 vai para uma central de emergência onde está a PSP, onde está a GNR, onde está o INEM, onde estão os bombeiros e depois, mediante a situação, ela é transferida para uma das centrais. No caso de incêndio para as centrais dos comandos nacionais de operações de socorro ou no caso de doença súbita ou de acidente para o INEM e aí é importante nós sabermos dizer onde estamos, o que estamos a ver, deixar o contacto e também, e muito importante, mantermos a calma e ouvirmos sempre os conselhos do outro lado, porque do outro lado está sempre alguém que nos pode dizer alguma coisa, algum gesto para que nós próprios possamos fazer algo que pode salvar uma vida”, detalhou.

Como exemplo de boas práticas, Luís Marques destacou o caso de Rodrigo, uma criança que recentemente ligou corretamente para o 112 numa situação de emergência. “O Rodrigo deve ser o orgulho de todas as crianças, porque soube perfeitamente o que fazer”, referiu, sublinhando que são estas pequenas ações que demonstram a importância da formação desde cedo.

O município acredita que as crianças funcionam como um importante elo de ligação entre a escola e as famílias, levando para casa os conhecimentos adquiridos. “Elas são um veículo de informação muito importante. Muitas chegam a casa e dizem: ‘Pai, hoje falámos sobre o que fazer em caso de sismo’”, contou, apontando que estas ações acontecem de forma regular nas escolas e com mais intensidade durante o mês de março, mês da proteção civil.

Apesar das campanhas regulares, o responsável reconhece que a sensibilização precisa de ser contínua.“Temos que mudar o típico português de só nos lembrarmos de Santa Bárbara quando troveja”, disse, defendendo uma cultura de prevenção permanente, sobretudo num contexto de fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos.

Com estas iniciativas, a Proteção Civil da Covilhã pretende formar uma geração mais preparada para enfrentar emergências, reforçando a ideia de que a segurança começa em cada cidadão — e, muitas vezes, nas mãos das crianças.