EN 232 sem soluções de médio prazo. CM Manteigas propõe-se asfaltar caminho alternativo

A Câmara Municipal de Manteigas propõe-se asfaltar o caminho de Campo Romão como alternativa de ligação às Penhas Douradas, após o colapso de um troço da Estrada Nacional 232 e já pediu parecer ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). A medida surge porque as soluções para o colapso da estrada nacional 232 continuam uma incógnita e muito provavelmente esta não será solução até 2028.

Durante a reunião da autarquia realizada esta segunda-feira, 16 de março, o presidente da Câmara, Flávio Massano, explicou que o município já pediu parecer às entidades competentes para avançar com a intervenção. “O nosso objetivo é asfaltar, tornar a estrada num caminho definitivo”, afirmou, sublinhando que a solução é necessária porque a reconstrução da EN232 deverá demorar vários anos.


Segundo o autarca, a intervenção pretende garantir um acesso com melhores condições enquanto decorrem os estudos para a reposição da 232. Aponta que “se houver obras em 2027 e mais um ano de trabalhos, em 2028 poderemos ter a estrada a funcionar”, referiu.

Massano explicou ainda que a situação da EN232 não é única no país. “Esta é uma de cerca de 40 estradas nacionais que estão encerradas neste momento”, disse, acrescentando que a Infraestruturas de Portugal está a reforçar equipas para responder às várias ocorrências.

Apesar de Manteigas estar “sensivelmente a meio na lista de prioridades”, o presidente da autarquia destacou que esta é a única estrada nacional encerrada onde já está a trabalhar uma equipa especializada a estudar novos traçados, uma vez que o deslizamento de vertente pode impedir a reposição da estrada no mesmo local.

“A solução ideal era repor integralmente o traçado onde está, mas isso pode não ser possível”, alertou, explicando que o fenómeno de instabilidade da encosta ainda não terminou.

Entre as alternativas em estudo estão a reconstrução do troço colapsado, a criação de um novo traçado ou a reclassificação de outras vias para garantir o acesso à vila.

Entretanto, a solução provisória através do caminho de Campo Romão poderá custar cerca de meio milhão de euros, valor que não estava previsto no orçamento municipal. “É um imbróglio muito grave para o município, porque estamos a falar de um investimento que não estava planeado”, afirmou Massano, acrescentando que a autarquia já pediu apoio financeiro ao Governo.

Na mesma reunião, o vereador socialista Nuno Soares manifestou disponibilidade para viabilizar uma revisão orçamental ou até um eventual empréstimo municipal. “Estamos disponíveis para aprovar o financiamento para a obra, se houver essa necessidade”, garantiu.

Na reunião foi também sugerido que esta é uma altura para voltar a colocar em agenda a construção de tuneis para garantir estes acessos.