O Ciclo de Teatro Universitário da Beira Interior regressa entre 11 e 14 março ao Teatro Municipal da Covilhã, espaço onde nasceu há três décadas, assinalando a 30.ª edição daquele que é considerado o festival de teatro universitário mais antigo realizado de forma ininterrupta em Portugal.
A apresentação oficial do certame decorreu esta segunda-feira, ao final da manhã, precisamente no palco que voltará a receber os espetáculos, numa sessão que reuniu organização e autarquia.
Segundo Rui Pires, presidente do TeatrUBI, trata-se de uma edição simbólica em vários sentidos. “São 30 anos ininterruptos deste festival”, destacou, lembrando também os 37 anos de atividade do Grupo de Teatro da Universidade da Beira Interior, fundado praticamente em simultâneo com a própria academia e hoje um dos mais antigos grupos universitários ainda em funcionamento no país.
Regresso à “casa” sete anos depois
A edição deste ano fica marcada pelo regresso ao Teatro Municipal da Covilhã, que acolheu o festival até 2018, mesmo em fases avançadas de degradação do antigo edifício, realçou o responsável.
Rui Pires recordou as dificuldades vividas nesses anos, com condições técnicas limitadas e soluções improvisadas para garantir conforto ao público e aos artistas. Ainda assim, sublinhou, o festival nunca deixou de se realizar, apesar das adversidades, também, financeiras.
“O festival sempre ocorreu. Nunca deixámos morrer este projeto”, afirmou.
A edição mais curta de sempre
Apesar do caráter comemorativo, a 30.ª edição será também a mais reduzida da história do evento. O programa integra apenas quatro espetáculos, consequência de constrangimentos financeiros e de calendário. “É também uma edição mais reduzida, há mais reduzida de sempre, também por várias vicissitudes de tempo, financeiras, etc., mas é para nós uma honra que esta 30.ª edição regresse ao Teatro Municipal da Covilhã”, disse.
Dois dos momentos em cartaz pertencem ao próprio TeatrUBI, em coprodução com a companhia profissional ASTA – Teatro e Outras Artes: a estreia do novo espetáculo do grupo (dia 11) e a reposição de uma criação apresentada no ano passado fora de uma sala com condições equivalentes às do Teatro Municipal, (dia 12).
O cartaz inclui ainda duas companhias universitárias espanholas com longa ligação ao festival: o Grupo Maricastaña, da Universidade de Vigo (dia 13) — presença regular há quase três décadas — e o Grupo de Teatro da Universidade de Santiago de Compostela (dia 14), reforçando o intercâmbio cultural mantido entre instituições ibéricas.
Festival ronda os 18 mil euros
Em representação da ASTA, o presidente Sérgio Novo revelou que o orçamento global do evento ronda os 10 mil euros em despesas diretas, podendo atingir cerca de 18 mil euros quando considerados recursos humanos.
Os principais encargos prendem-se com alojamento, alimentação e divulgação, áreas cujo aumento de custos tem vindo a dificultar a organização. Ainda assim, destacou a importância da parceria mantida com o TeatrUBI desde 2006, integrada no serviço educativo da companhia.
Papel cultural e formativo reconhecido pelo município
A vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã, Regina Gouveia, salientou o papel consolidado do ciclo no panorama cultural local, considerando que o festival conquistou “um lugar único” ao longo dos anos.
Para a autarca, o teatro universitário assume uma dupla função: reforça a ligação entre academia e comunidade e proporciona experiências artísticas que contribuem para a formação pessoal dos estudantes, mesmo daqueles que não seguem carreira nas artes.
Criar públicos, mais do que atores
Rui Pires reforçou que o objetivo do teatro universitário não passa apenas pela formação de profissionais, mas sobretudo pela criação de públicos críticos e culturalmente ativos.
Ao longo das últimas décadas, contudo, vários antigos participantes acabaram por seguir percursos profissionais nas artes performativas e nas belas-artes, confirmando o impacto do grupo enquanto espaço de experimentação artística.
O responsável alertou ainda para as dificuldades estruturais enfrentadas pelo associativismo estudantil e revelou que, 37 anos depois da fundação, o grupo continua sem um espaço próprio de ensaio ou armazenamento de cenários, figurinos e espólio.
Desafio agora é reconquistar o público académico
Depois de várias edições realizadas fora do Teatro Municipal, a organização espera agora perceber como reagirá o público — sobretudo os estudantes universitários — ao regresso ao centro cultural da cidade.
A entrada gratuita para alunos da Universidade da Beira Interior é uma das estratégias pensadas para aproximar novamente os jovens do teatro.
“Há estudantes que passam três anos na Covilhã sem nunca entrarem num teatro. Este regresso também serve para reconstruir essa ligação à cidade”, concluiu Rui Pires.
Programa do Festival – Ciclo de Teatro Universitário da Beira Interior
Dia 11 (quarta-feira) | 21h30
DESENGANO – (ASTA & TeatrUBI)
Dia 12 (quinta-feira) | 21h30
FICÇÕES DO INTERLÚDIO – (ASTA & TeatrUBI)
Dia 13 (sexta-feira) | 21h30
INSURRECCIÓN – (Maricastaña)
Dia 14 (sábado) | 21h30
IRMÃS – (Aula de Teatro da Universidade de Santiago de Compostela)
