Mais água, mais segurança: Covilhã inaugura reservatórios para ajudar a travar incêndios

O concelho da Covilhã conta com três novos reservatórios de água destinados a apoiar o combate a incêndios rurais, numa aposta do Município no reforço da prevenção e da capacidade de resposta.

As infraestruturas, instaladas no Tortosendo, na Erada e em Sobral de São Miguel, têm capacidade para 400 mil litros de água cada e permitem o abastecimento rápido de meios terrestres e aéreos.


Esta manhã, durante a inauguração, o presidente da Câmara Municipal, Hélio Fazendeiro, destacou que a obra representa a conclusão de um trabalho iniciado no mandato anterior e sublinhou a importância do investimento na prevenção.

“O que fazemos hoje é a conclusão de um caminho que coloca à disposição deste território uma infraestrutura que permite aumentar a capacidade de resposta das forças de combate e proteção civil”, afirmou.

Investimento municipal para enfrentar incêndios mais frequentes

Segundo o autarca, os três reservatórios representam um investimento de cerca de 120 mil euros, financiado exclusivamente pelo orçamento municipal, e juntam-se a um quarto já existente na encosta da Serra da Estrela, na zona da Rosa Negra.

O presidente da Câmara mostrou-se convicto de que este tipo de infraestruturas poderá ter um impacto direto na dimensão dos incêndios futuros.

Hélio Fazendeiro sublinhou que a existência de pontos de água mais próximos das zonas de risco permitirá uma resposta mais rápida e eficaz, evitando que os fogos ganhem grandes proporções. “Aquilo que acredito é que este tipo de infraestruturas vai permitir que os incêndios não tomem a proporção que tomaram os incêndios de agosto”, afirmou, defendendo que a rapidez no ataque inicial é determinante para reduzir prejuízos e proteger o território.

Os depósitos possuem sistemas de monitorização permanente e reabastecimento automático, garantindo que a água retirada por bombeiros ou helicópteros é reposta de imediato. De acordo com o presidente da autarquia, cada reservatório permite o abastecimento de cerca de 150 veículos de combate ou aproximadamente 300 cargas de meios aéreos.

Localizações definidas por critérios técnicos

O autarca frisou ainda que a escolha dos locais não foi arbitrária.

“A localização não é por acaso, é decidida com critérios técnicos, onde existem bons acessos, capacidade de abastecimento de água e zonas com maior potencial de ignição”, explicou.

O município prevê avançar ainda este ano com a instalação de mais quatro reservatórios na zona norte do concelho, com o objetivo de garantir cobertura equilibrada em todo o território.

Infraestruturas reduzem tempo de resposta no combate

Para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, os novos pontos de água vão permitir operações mais rápidas e eficazes. O segundo-comandante da estrutura, João Rodrigues, explicou que a proximidade da água é determinante para o sucesso das operações.

“Esta instalação estratégica permite encurtar os tempos de abastecimento e faz com que os helicópteros consigam realizar mais descargas durante a sua autonomia, tornando o combate muito mais eficiente”, afirmou.

Também frisou que os reservatórios estão equipados com uma boca de incêndio de alto débito, capaz de abastecer rapidamente os veículos de combate e reduzir significativamente o tempo de reabastecimento no terreno.

Detalhou aos jornalistas que um veículo de cerca de 20 a 30 mil litros de água consegue abastecer em 15 minutos, ou em menos, sublinhando que tal demorar quase uma hora numa boca de incêndio normal.

Os reservatórios estão ligados a diferentes fontes de abastecimento permanente, como linhas de água, furos artesianos ou, no caso do Tortosendo, à Barragem do Viriato, garantindo disponibilidade contínua mesmo em períodos de maior utilização.

Município quer continuar a expandir rede de reservatórios

Hélio Fazendeiro garantiu que o reforço destas infraestruturas continuará a ser uma prioridade política do executivo.

“Vamos continuar a instalar reservatórios deste tipo noutros pontos do concelho que sejam identificados como necessários do ponto de vista operacional”, assegurou, seguindo-se a zona norte do concelho que contará com quatro infraestruturas destas ainda este ano.

Apesar do investimento, o presidente deixou um desejo: “Esperamos que estes meios sejam muito pouco utilizados, porque isso significará que não teremos grandes incêndios no nosso território.”