Uma derrocada de grandes dimensões ocorrida no início de fevereiro, na zona da Carvalheira, em Manteigas, está a mobilizar os serviços municipais e várias entidades técnicas, depois de as chuvas intensas terem provocado o deslizamento significativo de solos, blocos rochosos, material detrítico e árvores de grande porte, sendo uma situação de resolução complexa e sem solução definitiva encontrada.
De acordo com a informação transmitida pelo presidente da Câmara Municipal, Flávio Massano, durante a Assembleia Municipal de 27 de fevereiro, o cenário no terreno é “assustador” à primeira vista, com “centenas de árvores arrancadas pela raiz ou tombadas” na sequência do movimento de terras.
Movimento superior a um metro em poucos dias
Segundo o autarca, o deslizamento continua ativo. “Entre sexta-feira e o meio desta semana, onde os solos começaram a drenar e a secar, tivemos um movimento de terras superior a um metro”, revelou, explicando que, apesar de não se verificar um novo grande desprendimento, “ele continua a ceder”.
O município instalou instrumentos de medição no local, como fitas e ferros de referência, para acompanhar a evolução da encosta. “Aquilo que estamos neste momento a fazer é pouco mais do que monitorizar, porque não há condições de nada”, afirmou.
A derrocada alterou a configuração natural da encosta, numa área de elevada sensibilidade geomorfológica e valor patrimonial, particularmente vulnerável a fenómenos de instabilidade e erosão em cenários de precipitação extrema, dada a concentração de linhas de drenagem natural.
Intervenção técnica exigente e prolongada
Flávio Massano sublinhou que o município está a articular com várias entidades externas, podendo ser necessário recorrer a engenheiros e geólogos para avaliar a real dimensão do problema. “Não sabemos muito bem com o que é que estamos a lidar”, admitiu, reconhecendo as limitações dos meios municipais para definir, nesta fase, uma estratégia de intervenção definitiva.
Atendendo à complexidade geológica e hidrológica do local, é antecipada uma intervenção exigente e prolongada, mantendo-se o esforço coordenado para mitigar impactos na malha urbana e salvaguardar a segurança de pessoas e bens, apesar da distância da zona afetada à vila.
EN 232 interdita por razões de segurança
A principal medida preventiva adotada foi o encerramento de um troço da EN 232, por decisão da Infraestruturas de Portugal (IP). A via está interdita entre o cruzamento para o Covão da Ponte e o Ribas.
“O asfalto cedeu mesmo”, referiu o presidente da autarquia, explicando que, numa primeira fase, a IP procedeu à selagem de fissuras, mas que essa intervenção foi insuficiente face ao agravamento da situação. “Os muros estão tão fragilizados, porque as terras cederam”, disse, comparando a intervenção inicial a “um bocadinho de fita-cola”.
O trânsito entre Manteigas e Penhas Douradas deve, assim, fazer-se pela Estrada Florestal de São Sebastião, estando proibida a circulação de veículos pesados.
Chuva acima do dobro da média histórica
O presidente da Câmara destacou ainda o volume excecional de precipitação registado no concelho. “Até ao dia 20 de fevereiro tinha chovido mais do dobro da média desde 1991 até agora no nosso concelho”, afirmou, considerando que foi “mesmo muita água” a principal causa dos estragos.
Apesar de acreditar que as principais chuvas do ano já terão passado e que a situação poderá estar, para já, estabilizada, o município mantém a monitorização permanente da encosta, aguardando condições técnicas e de segurança que permitam avançar para uma intervenção mais estrutural.
Imagem: Gonçalo Poço
