PSD alerta para dificuldades de IPSS. CMC já apoiou com 700 mil euros e poderá ir mais longe

O Partido Social Democrata alertou para as dificuldades financeiras que várias instituições particulares de solidariedade social (IPSS) do concelho da Covilhã enfrentam devido a obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Já a Câmara Municipal da Covilhã garante que os apoios municipais já foram aprovados e defende que o Estado deve assumir maior responsabilidade no financiamento destes projetos.

A questão foi levantada pelo vereador social-democrata Jorge Simões no período antes da ordem do dia da reunião privada do executivo municipal.


Segundo o vereador, as dificuldades das instituições já tinham sido sinalizadas anteriormente.

“Já em agosto de 2025 tinha chamado a atenção para as dificuldades objetivas que as IPSS estavam a viver com obras ao abrigo do PRR, sobretudo ao nível dos problemas financeiros”, afirmou.

Em causa estão obras em cinco instituições do concelho: a Cerzir Afetos, na Boidobra, bem como equipamentos em Vila do Carvalho, Verdelhos, Vales do Rio e Peso.

De acordo com Jorge Simões, as instituições enfrentam atualmente uma forte pressão financeira para cumprir os prazos definidos pelo PRR.

“A execução financeira destes investimentos tem de estar concluída até 31 de março. Portanto, todas estas IPSS têm de ter a execução financeira concluída até ao final deste mês”, referiu.

Perante esta situação, o vereador questionou o executivo municipal sobre a possibilidade de reforçar os apoios financeiros às instituições.

Câmara diz que já aprovou apoios

Questionado pelos jornalistas, o presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, afirmou que o município já deliberou apoios financeiros para estas entidades, apesar de considerar que essa responsabilidade deveria caber ao Estado.

“A Câmara Municipal da Covilhã já deliberou a atribuição de apoios a estas instituições, pese embora, naquilo que são as suas atribuições e competências legais, as autarquias não tenham esta responsabilidade”, afirmou.

Recordou que foram atribuídos apoios de 100 mil euros às instituições de Vales do Rio, Vila do Carvalho, Verdelhos e Peso. No caso da Cerzir Afetos, na Boidobra, o apoio municipal foi fixado em 300 mil euros, por se tratar de uma nova unidade.

Município admite acompanhar dificuldades

Hélio Fazendeiro reconheceu, no entanto, que algumas instituições já manifestaram preocupação com a suficiência das verbas atribuídas.

“Aquilo que já nos chegou da parte de algumas instituições é que estas verbas são insuficientes face ao volume de despesa e ao agravar dos custos das obras”, disse.

O presidente da autarquia garantiu que o município continuará a acompanhar a situação e a apoiar as instituições.

“A Câmara Municipal está atenta, tem apoiado estas instituições e naturalmente vai continuar a estar ao lado destas entidades para dar resposta aos nossos concidadãos”, disse.

O autarca apelou ainda ao vereador social-democrata para interceder junto do Governo.

“Pedi ao senhor vereador que utilize a sua influência junto do Governo da República e do partido que representa para que o Estado olhe para estas instituições e assuma aquilo que é uma competência sua”, apontou.