“Situação financeira saudável”. Covilhã aprova contas de 2025 por maioria

A Câmara Municipal da Covilhã aprovou esta segunda-feira, 30 de março, em reunião extraordinária, as contas relativas ao exercício de 2025. O documento passou por maioria, com votos favoráveis do executivo socialista e abstenções dos vereadores do PSD e coligação +Covilhã e o voto contra do MIPP.

No final da reunião, o presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, destacou que os documentos agora aprovados refletem “uma gestão municipal orientada pelo rigor financeiro, pela transparência e pelo compromisso com o interesse público”.


Segundo o autarca, as contas “comprovam e corroboram aquilo que foram os dados já avançados na incorporação do saldo de gerência”, demonstrando “uma situação financeira capaz, saudável, que deu resposta a um conjunto de evidências e a um conjunto de expectativas dos nossos munícipes e que tem vindo a resolver problemas”.

O relatório apresenta, de acordo com o executivo, contas equilibradas e uma forte execução da receita. “Apresentam-se contas equilibradas, com uma forte execução da receita e com investimento sustentado, que representa também uma estabilidade financeira importante, com capacidade para investimento público”, sublinhou Fazendeiro, acrescentando que esta estabilidade permite “afirmar a Covilhã como um polo de desenvolvimento da região”.

Dívida desceu, mas há processos que podem alterar cenário

O presidente da Câmara salientou que o município parte de uma situação financeira mais favorável do que no passado, recordando que em 2013 o nível de endividamento rondava os 298%, estando atualmente “pouco acima dos 60%”.

Em 2025, a autarquia registou um passivo de 39 milhões de euros e uma dívida de 24 milhões, menos um milhão do que no ano anterior. Ainda assim, o executivo admite que processos em curso, como o eventual resgate da concessão das águas residuais à empresa Águas da Serra e a dívida associada à empresa Águas da Covilhã, podem ter impacto futuro nas contas.

“São valores que estão em cima da mesa e que podem vir, com alguma dimensão, a alterar esta situação financeira, mas mesmo com essas situações não deixa de ser uma situação muito mais confortável do que aquela que o meu antecessor encontrou”, afirmou.

PSD critica resultado negativo e falta de informação sobre participadas

O vereador do PSD, Jorge Simões, optou pela abstenção, justificando a posição com o facto de o documento refletir sobretudo o período anterior à atual composição do executivo, que tomou posse apenas em novembro de 2025. Ainda assim, deixou críticas à evolução dos resultados.

“O relatório de 2025 traz um resultado negativo de 3,27 milhões de euros, agravando face a 2024, e um aumento de rubricas pesadas, como fornecimentos e serviços externos, gastos com pessoal e subsídios concedidos”, referiu.

O social-democrata apontou também a ausência de dados atualizados sobre empresas municipais. “Continuamos com falta de informação atempada em relação às entidades participadas, à Parkurbis, em particular, e à ICOVI, o que significa que o valor das participações do município não foi corrigido com base na situação de 2025”, disse.

Entre as preocupações manifestadas, destacou ainda o montante acumulado relacionado com a Águas da Covilhã, que ascendia a mais de 12 milhões de euros a meio de 2025, questionando o executivo sobre a estratégia para resolver o problema.

MIPP fala em “governação financeiramente acomodada”

O vereador do Movimento Independente Pelas Pessoas, Carlos Martins, votou contra, classificando a situação financeira como estável, mas politicamente preocupante.

“Há dinheiro em caixa, mas a gestão produz pior resultado económico no período”, afirmou, acrescentando que o município evidencia “crescimento acelerado da despesa corrente” e menor capacidade operacional de gerar caixa.

Para o eleito independente, os documentos não permitem falar em colapso financeiro, mas também não justificam uma leitura triunfalista. “O que se vê é uma governação financeiramente acomodada, pouco contida na despesa corrente e insuficientemente convincente na demonstração de rigor, transparência e qualidade do resultado”, considerou.

CDS/IL abstém-se e critica 12 anos de governação socialista

Em representação da coligação CDS/IL, +Covilhã, José Santos também se absteve. Num documento entregue aos jornalistas, o eleito considerou que a análise do relatório demonstra que “a gestão socialista dos últimos 12 anos foi desastrosa, gastou-se muito e sobretudo fez-se muito pouco”.

Na mesma nota, sustenta que existe “um manifesto défice de qualidade de vida e bem-estar para com os covilhanenses” e que “os custos dessa inércia comprometem grande parte dos aparentemente favoráveis saldos de gerência”.

Sobre a ausência de dados das participadas do Município, Hélio Fazendeiro explica que a consolidação das contas, incluindo as das empresas municipais, ocorre, como habitualmente, em junho, apontando que hoje foi aprovado a relatório de gestão do município e não do grupo municipal.