Colégio das Freiras: autarquia mantém solução em reserva e Cavaco critica falta de decisões

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, garantiu que os pais das crianças do Colégio das Freiras estão informados sobre o processo em curso para o próximo ano, uma vez que as negociações com a família para manter o Colégio falharam e as obras no Bolinha de neve não estão concluídas, recusando, para já, tornar pública a solução em estudo. As declarações foram feitas no final da reunião privada do executivo, realizada na sexta-feira, dia 10.

Segundo o autarca, trata-se de “um tema demasiado sério e importante, para se fazer demagogia com ele”, que está a ser acompanhado de perto pelo município e por várias entidades envolvidas. Hélio Fazendeiro sublinhou que a Câmara não irá avançar com qualquer solução enquanto esta não estiver totalmente definida, defendendo que a divulgação prematura poderia gerar “ansiedade e instabilidade” ou até comprometer as negociações em curso.


Ainda assim, assegurou que a Comissão de Pais tem acompanhado permanentemente o processo e está ao corrente das diligências realizadas.

“Os pais sabem o que está a ser feito”, afirmou, reiterando que o objetivo é encontrar uma solução transitória até à conclusão das obras no espaço “Bolinha de Neve”, propriedade do Instituto da Segurança Social, para onde a creche deverá ser transferida.

Do lado da oposição, o vereador da coligação Mais Covilhã (CDS/IL), Eduardo Cavaco, que levou o tema à reunião no período antes da ordem do dia, criticou o que considera serem “dois anos perdidos” na resolução do problema e apontou a ausência de uma solução concreta até ao momento. Entre várias questões levantadas, destacou a possibilidade de a autarquia suportar o aumento da renda do edifício, que poderá rondar os 10 mil euros mensais.

“Se a solução passava por pagar o dobro da renda, porquê é que não pagamos?”, questionou, admitindo não ver com estranheza essa opção caso garantisse estabilidade às famílias. O vereador criticou ainda a falta de apresentação pública de alternativas e a ausência de planeamento preventivo, lembrando que já era previsível que as obras do novo espaço não estariam concluídas a tempo.

O eleito da oposição alertou também para o impacto da situação na atração de jovens casais para o concelho, sublinhando a importância da existência de respostas ao nível das creches. “Enquanto não houver decisões claras, promessas continuam a ser apenas palavras vazias”, afirmou, defendendo que é tempo de a Câmara “cumprir, decidir e apresentar uma solução concreta”.

Relativamente à possibilidade de a autarquia suportar o aumento da renda, que passaria de cerca de 5 mil para 10 mil euros mensais, Hélio Fazendeiro afastou essa solução, considerando que os valores exigidos são “excessivos” e lesivos do interesse público. O autarca explicou que o município ainda tentou perceber junto dos proprietários se existia margem para rever as condições do contrato, mas sem sucesso. Perante a indisponibilidade para alterar os termos e o montante elevado em causa, a Câmara optou por não avançar com a renovação do arrendamento, direcionando esforços para encontrar alternativas que garantam uma resposta adequada sem comprometer os recursos municipais.