A vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã, Regina Gouveia, anunciou esta quinta-feira, 9 de abril, o encerramento de uma primeira fase e o arranque de um novo ciclo no Hub Criativo Portas do Sol, que celebra um ano de atividade no Centro Histórico.
Em conferência de imprensa, a autarca destacou que o espaço, instalado na Casa dos Magistrados, nasceu com o objetivo de “acolher jovens talentos” e criar condições para a sua fixação no território, funcionando como ponte entre o fim do percurso académico e a entrada no mercado de trabalho.

“Estamos a terminar o acolhimento do primeiro mestrando da UBI e a iniciar uma nova fase”, sublinhou Regina Gouveia, reforçando a importância deste período de transição, onde os jovens têm acesso a recursos técnicos, equipamentos e apoio especializado para desenvolver projetos criativos.
Sustentabilidade em destaque: lonas ganham nova vida
Um dos principais focos desta nova fase é a aposta em projetos âncora ligados à sustentabilidade, com destaque para o reaproveitamento de lonas publicitárias.
Segundo Regina Gouveia, esta iniciativa surge como resposta ao impacto ambiental do setor, transformando resíduos em matéria-prima para o design. “As lonas deixam de ir para o ambiente e passam a ser matéria-prima para a criatividade”, explicou.

A técnica do HUB, Luísa Matos, que apoia diariamente os jovens criadores, reforçou o potencial deste projeto. Com vasta experiência na indústria têxtil, encontrou neste espaço uma nova motivação: “É muito gratificante ensinar e deixar a criatividade voar”.
A responsável explicou que o trabalho com lonas exige adaptação, mas abre portas a múltiplas possibilidades. “Consegue-se fazer coisas muito giras com material que ia para o lixo”, disse, destacando a produção de peças únicas como bolsas, sacos ou capas de livros.
Além da componente criativa, o projeto tem também um forte objetivo pedagógico, incentivando práticas sustentáveis e ensinando técnicas básicas que ajudam a prolongar a vida das roupas, como por exemplo pregar botões ou até marcar baínhas.
As lonas são “restos” de eventos organizados pelo município, já os tecidos com que as peças são forradas são doados por empresas têxteis da região, sendo também eles aproveitamento de resíduos.
Cada peça criada com lonas será acompanhada de uma etiqueta onde se explica de que evento resulta a lona, como forma de despertar a curiosidade para as iniciativas que decorrem no território, explicou também Regina Gouveia.
Um espaço de experimentação e comunidade
O Hub Criativo Portas do Sol afirma-se como um espaço de experimentação, colaboração e ligação à comunidade, envolvendo não só estudantes universitários, mas também jovens do ensino secundário e visitantes.
A estratégia passa ainda pela criação de três polos no Centro Histórico, reforçando a dinamização urbana e cultural da cidade, com novas valências a surgir em breve.

Neste âmbito, Regina Gouveia explicou que os polos 2 e 3 ainda se encontram em fase de projeto, estando atualmente a ser desenvolvidas as propostas de arquitetura e os respetivos processos de licenciamento, obrigatórios para intervenções no Centro Histórico. Os dois novos espaços já estão definidos: a futura “Casa Muralha”, integrada na estrutura da muralha da cidade, e a “Casa Amarela”, localizada junto à Igreja de Santa Maria. Ambos deverão avançar posteriormente para candidatura a financiamento, mantendo o objetivo de criar uma rede de polos criativos interligados no coração da cidade.
Nuno Gomes: “Sem este espaço seria muito mais difícil”
O primeiro residente do Hub, o aluno da UBI Nuno Gomes, apresentou o seu projeto “Mini”, uma coleção de alfaiataria que cruza referências tradicionais com elementos da infância, inspirados em desenhos familiares.

O jovem designer destacou a importância do espaço no desenvolvimento do seu trabalho: “Sem o HUB não conseguia financiar o projeto nem ter acesso a estas condições”.
Para Nuno Gomes, a possibilidade de trabalhar num ambiente equipado e com apoio técnico foi determinante: “Facilita muito. Posso deixar aqui os materiais, ter acesso a máquinas e apoio, o que é essencial nesta fase inicial”.
Além disso, sublinhou que o HUB não só permite a experimentação criativa, como também abre portas à visibilidade e ao mercado, com contactos, potenciais compradores e candidaturas a concursos.
A vereadora Regina Gouveia reforçou este impacto, revelando que o jovem já se encontra integrado profissionalmente na região. “É exatamente este o objetivo: garantir a transição e fixar talento no território”, afirmou.
Um ano de atividade e novos desafios

Com um ano de funcionamento, o Hub Criativo Portas do Sol entra agora numa nova etapa, consolidando-se como um motor de inovação, sustentabilidade e valorização do talento jovem na Covilhã.
A aposta em projetos circulares, como o reaproveitamento de materiais, e o reforço da ligação à academia e à comunidade, posicionam o espaço como peça-chave na estratégia da cidade enquanto Cidade Criativa da UNESCO na área do Design.
