A derrocada da Estrada Nacional 232, que liga Manteigas às Penhas Douradas, continua a marcar a atualidade em Manteigas e a mobilizar esforços a vários níveis. O presidente da Câmara, Flávio Massano, garantiu esta terça-feira que o tema vai chegar diretamente ao Presidente da República já amanhã, num encontro previamente agendado.
“Posso lhe dizer que amanhã às 10 da manhã vou estar com o Sr. Presidente da República e, portanto, vou-lhe passar, obviamente, esta situação”, afirmou o autarca durante a reunião pública do executivo, sublinhando que todo o apoio institucional e mediático será importante: “toda a pressão ou todo o apoio mediático que possa dar à nossa vila é bem-vindo”.
IP apresenta soluções já no dia 10
Entretanto, há novos desenvolvimentos previstos a muito curto prazo. A Infraestruturas de Portugal (IP) deverá apresentar possíveis soluções para a estrada já no próximo dia 10 de abril, numa reunião com o presidente da autarquia.
Segundo Flávio Massano, a empresa pública cumpriu o compromisso assumido após ter sido chamada “de urgência” ao município: “Num mês, já fez os estudos que tinha a fazer e já nos vai apresentar qual é a solução que pretendem explorar”.
Ainda assim, o autarca alerta que não se trata de uma solução pronta para avançar para obra: “Não é a solução para irmos para a obra. Como é óbvio, ninguém faz um projeto num mês”.
Estrada poderá não voltar ao mesmo local
Uma das principais dúvidas prende-se com o futuro traçado da via. O presidente admite que dificilmente a estrada será reconstruída no mesmo sítio: “Desconfio que a solução não será manter a estrada no sítio onde ela estava”.
A instabilidade da encosta continua a ser um fator crítico: “No sítio onde a estrada passava não há lá nada para agarrar a estrada e o deslizamento de terras continua a acontecer”.
Alternativas em estudo e solução provisória com limitações
Enquanto isso, o município continua a trabalhar em alternativas, nomeadamente na ligação por Campo Romão, embora com limitações evidentes, uma vez que o ICNF, sem projeto, apenas autorizou a colocação de tout-venan.
“Ficamos com o carro cheio de pó… isto é um constrangimento gigante”, reconheceu.
A autarquia está também a preparar um projeto para alcatroamento dos cerca de três quilómetros, que será depois submetido às entidades competentes:
“Vamos gastar o dinheiro que for preciso gastar para que a estrada seja lá feita e fique para o futuro”, disse.
O autarca não esconde a preocupação com o impacto da situação: “Isto aconteceu-nos na pior altura que podia acontecer”, referindo a pressão sobre o setor da construção e os prazos do PRR.
Apesar das dificuldades, destaca a resposta das entidades: “Num espaço de um mês a IP colocou-nos no centro das atenções e vamos ter uma possível solução já dia 10”, disse o autarca, ressalvando sempre que solução definitiva, com obras no terreno, irá demorar meses, ou anos.
Foto: Gonçalo Poço
