Zona Livre Tecnológica da Covilhã em discussão na reunião privada da Câmara

A criação de uma Zona Livre Tecnológica (ZLT) na Covilhã, compromisso assumido por Hélio Fazendeiro durante a campanha eleitoral, voltou a estar em destaque na reunião privada do executivo municipal realizada na passada sexta-feira, por iniciativa do vereador Eduardo Cavaco, da coligação CDS/IL, que questionou o ponto de situação do projeto.

A ZLT, considerada uma das apostas estratégicas para a atração de investimento e inovação no concelho, foi objeto de análise por parte do vereador, que afirmou ter realizado “um estudo exaustivo” sobre o conceito.


O vereador sublinhou ainda a importância da medida, mas deixou críticas quanto à falta de clarificação do seu desenvolvimento no concelho.

“Este objetivo eu acho que é importante, porque procura atrair investimento, captar talento e valorizar o tecido tecnológico local. No entanto, é justamente nesse ponto que surge a minha crítica construtiva”, referiu.

Eduardo Cavaco defendeu a necessidade de um plano estratégico claro para a Covilhã, questionando o executivo sobre os passos já dados e propondo a criação de um grupo de trabalho interdepartamental.

“A primeira é uma clarificação da estratégia local concreta, até ao momento há ou não há um plano estratégico de forma a que a ZLT da Covilhã seja uma realidade, que passos é que já foram dados”, questionou, acrescentando que apresentou “uma proposta para a criação de um grupo de trabalho interdepartamental na Câmara, com apoio técnico externo”.

O vereador defendeu ainda a articulação com entidades académicas e empresariais, nomeadamente a Universidade e politécnicos, bem como a Associação Nacional de Inovação.

O vereador deixou ainda a sua visão sobre uma possível área estratégica para a futura ZLT.

“A área é a área da saúde e das ciências biomédicas, porque acredito que há transferência de conhecimento a partir do UBIMedical que permitiria termos aqui uma Zona Livre Tecnológica nesta área”, afirmou.

Presidente da Câmara defende projeto “estruturante e em desenvolvimento”

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, saudou o interesse do vereador no tema e reforçou que a ZLT é um projeto estratégico para o mandato, mas de implementação complexa.

“Saudar entusiasticamente a chegada do senhor vereador a este tema e o apoio que manifestou a este tema”, afirmou.

O autarca sublinhou que se trata de um processo de longo prazo e que envolve múltiplas entidades.

“Uma iniciativa destas não se constrói em 159 dias, que é os dias que levamos de mandato, nem evolui ao ritmo de redes sociais ou de anúncios públicos”, referiu.

Segundo o presidente, o projeto está em fase de articulação institucional.

“Não depende exclusivamente da vontade da Câmara Municipal, envolve muitas entidades e instituições públicas, privadas, que articularão vontades e conjugarão vontades para que esta Zona Livre de Tecnologia da Covilhã seja uma realidade”, explicou.

Hélio Fazendeiro confirmou ainda que já existem contactos em curso com parceiros, embora sem avançar detalhes.

“Já contactámos alguns parceiros, já temos trabalho em curso, não posso adiantar-vos mais do que isto porque é estar, no fundo, a prejudicar aquilo que é o andamento do trabalho”, disse.

O presidente destacou ainda áreas potenciais para a futura ZLT, alinhadas com propostas já discutidas internamente.

“Na área da saúde, nomeadamente na área das novas tecnologias e dos dados, na área da robótica, são áreas que o município tem já capacidade e vários projetos empresariais que nos potenciam”, referiu.

O autarca concluiu reafirmando a intenção de concretizar o projeto ao longo do mandato.

“Espero que, no decorrer deste mandato, nós consigamos construir formalmente esta Zona Livre de Tecnologia e, com isto, ter mais um instrumento de capacitação do território para a atração de investimento e promoção de novos projetos empresariais”, afirmou.

Foto criada com recurso a IA