A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou, tal como já tinha
acontecido na reunião do executivo, a abertura do procedimento para o concurso
público do sistema de mobilidade da Covilhã. Antes da discussão e da votação, o
sistema foi apresentado por Valter Duarte, da Empresa M Moura, que o elaborou.
Com críticas da oposição, o documento passou com os votos a favor do PS e
presidentes de junta (19) e contra do CDS, de Novo Covilhã e PCP (9).
Um sistema de mobilidade que “mostra coragem e arrojo” com um contrato em que
“as receitas e risco da procura ficam por conta do operador” e considerado
pelos especialistas como “ambicioso e avançado” que “coloca no centro da sua preocupação
o cidadão”, disse Hélio Fazendeiro da bancada socialista.
De resto a bancada do PS foi a única a elogiar a solução proposta. O CDS, que
na primeira reunião em que o sistema esteve a votação votou favoravelmente,
“com base na boa-fé face ao que nos foi dito na altura”, vincou João Vasco
Caldeira. Explicou que “as duvidas continuam e o debate sobre o sistema não foi
feito”, e criticou ainda a falta sustentabilidade ao sistema, “que advém da
falta de debate”, disse, mostrando-se receoso de que “um concurso tão amplo
como este fique deserto e que seja posteriormente entregue, à peça, por ajuste
direto”.
A bancada do movimento independente De Novo Covilhã afirma que “este plano não
serve”, porque, entre outras críticas, é “um plano da cidade e não do concelho”
e o movimento defende “uma maior integrabilidade”, afirmou Luís Fiadeiro. O movimento
questionou ainda a operacionalização da utilização de bicicletas e trotinetas e
alertou para o facto de ser necessário “formação para que se tire o maior
partido do sistema”. A falta de estudo para implementação do sistema, desde o
trânsito até aos estacionamentos, foi outra das críticas que levou ao voto
contra desta bancada.
A bancada comunista, embora reconheça alguma virtude ao documento, nomeadamente
um passe para todas as carreiras propostas e gratuito para todos os alunos até
ao 12º ano, votou contra. O líder da bancada do PCP, afirmou que esta concessão
“é uma PPP em que, como é usual, o privado não corre riscos”. Justificou ainda
o chumbo com a “discordância da exploração de elevadores e funiculares que irá
diminuir a mobilidade” e com a inclusão da exploração dos estacionamentos,
frisou.
O documento acabou aprovado por maioria. Em termos práticos, Hélio Fazendeiro
explicou que “logo que a concessão esteja em vigor” os covilhanenses, “por 33,95
euros, vão ter direito aos mesmo autocarros e com mais oferta, vão ter minutos
de bicicleta, de funiculares e elevadores, estacionamento e se quiserem ainda
podem andar de trotinetas”, vincou, especificando que a autarquia “irá pagar
mais 200 mil euros” do que paga atualmente.
Da discussão do ponto na Assembleia Municipal, destaque também para a questão
da concessão incluir elevadores e funiculares, opção criticada por alguns
elementos, e que, o presidente da Câmara justifica com a “falta de vocação das
autarquias para manter estes equipamentos” o que passará a ser da
responsabilidade do concessionário.
Recorde-se que a futura concessão terá um custo 800 mil euros anuais, a atual
custa 600 mil, e na comparação entre “o que temos e o que iremos ter, os 200
mil euros a mais são amplamente compensados” refere o presidente da câmara,
Vítor Pereira.
Para além dos serviços de transporte, o plano inclui estacionamento à
superfície e subterrâneo, (300 lugares à superfície e 700 em silos) mobilidade
suave com bicicletas e trotinetas, serviço de elevadores e funicular. Uma
integração que visa “conseguir escala” e “acabar com a concorrência entre os
vários modos de transporte, a bem dos utilizadores”, explica Valter Duarte
responsável pela elaboração do plano. As carreiras urbanas terão uma lógica
semicircular no centro, com as carreiras suburbanas também a ser integradas.
Outra das grandes alterações será a concessão dos elevadores e funicular, com o
concessionário a “ser responsável pela sua manutenção”. Estão previstas “coimas
caso as paragens nos equipamentos sejam prolongadas”, frisou Valter Duarte. Os
equipamentos serão grátis para moradores do concelho e com uma taxa de 50
cêntimos para utilizadores ocasionais.
Os cerca de 80 abrigos existentes na rede também serão concessionados, passando
para o concessionário a exploração de publicidade e a sua reformulação e
manutenção.
Haverá duas novas carreiras para as Penhas da Saúde, e a possibilidade de criar
uma outra para a Torre em épocas específicas como Natal, Páscoa e Carnaval.
Quanto aos custos para o utilizador, Vítor Pereira garante que os passes
urbanos manterão os preços atuais, “podendo até ser reduzidos”, o mesmo
acontecendo com os interurbanos. Serão também mantidos todos os passes sociais.
Os estudantes até ao 12º ano terão passes grátis, assim como os universitários
aqui recenseados. Os restantes alunos da UBI terão desconto de 25%.
