A “rica” história da Covilhã assenta no “trabalho e luta dos seus operários”

O trabalho “árduo” e a luta dos trabalhadores da Covilhã fizeram, e fazem, da cidade e do concelho o que ele é hoje.


Pode dizer-se que esta é a principal conclusão da conferência “A Covilhã do Trabalho”, que decorreu durante a tarde de sábado, inserida nas comemorações dos 150 anos da elevação da Covilhã a cidade e 50 anos da fundação da CGTP-IN.


Na sessão de abertura do evento, o presidente da Câmara, Vítor Pereira, salientou que a “força do trabalho especializado, duro e esgotante dos operários da indústria de lanifícios, moldou a Covilhã e a catapultou para o que é hoje”, salientando assim a importância do movimento operário da Covilhã.


Para o autarca a história da cidade e do concelho e a do movimento operário e sindical “sobrepõem-se”. Vincou que “o conhecimento destes movimentos são condição indispensável para melhor nos conhecermos enquanto povo”.


Elogiando as lutas sindicais do passado, Vítor Pereira afirmou que a região continua a precisar dessa força para “ultrapassar as dificuldades da interioridade”, elencando como reivindicações “a abolição de portagens, redução de impostos e concessão de benefícios fiscais aos trabalhadores e empresas que aqui se fixem, a descentralização administrativa com o respetivo envelope financeiro e, entre outras, a criação de alternativas às Comunidades Intermunicipais”, referiu.


Isabel Camarinha, Secretária Geral da CGTP-IN, partilhou da opinião que “o desenvolvimento da Covilhã contou, e conta, com a força dos trabalhadores”, recordando que já na luta contra o fascismo “eles assumiram a linha da frente”. “Os operários da Covilhã e outros que vinham aqui trabalhar, saíram à rua e encabeçaram ações de luta, ajudando na construção do futuro”, disse.


Uma garra que se estende até aos dias de hoje salientou ainda a sindicalista, recordando a luta, por exemplo, dos mineiros da Panasqueira.


Razões que levaram Isabel Camarinha a afirmar que a própria história da CGTP “se funde com a da Covilhã do trabalho, feita por gerações de trabalhadores que lutaram, e lutam, pelos seus direitos e por um novo futuro”, concluiu.


Luís Garra, Coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco partilhou da mesma opinião no encerramento dos trabalhos.


“A rica história da Covilhã só pode ser completa se nela incluir os operários, a exploração a que estiveram e estão sujeitos, a luta de resistência que sempre desenvolveram e a forte organização operária e sindical que vem das associações de classe até aos dias de hoje e que são referência nacional”, disse.


Para o sindicalista “a história da Covilhã não é feita de consensos, é feita de lutas pela dignidade de quem trabalha”, frisando que “não entra”, por isso, em “falsos consensos” que servem “para branquear os que ontem e hoje, alguns com elevados lucros, insistem em relações de trabalho sem direitos e salários miseráveis”.


A esses Garra dedicou o fim do seu discurso. “Não nos obriguem a vir para a rua lutar”, avisou.


A conferência contou ainda com a preleção de António Assunção, professor aposentado e autor de obras sobre a história do movimento operário da Covilhã e José Espírito Santo, sociólogo e professor

No final a USCB homenageou Manuel Carrola, da Inter-Reformados, pela sua vida dedicada ao movimento sindical.