PROT-Centro aprovado com IC6 mas sem Barragem das Cortes

O Programa Regional de Ordenamento do Território do Centro (PROT-Centro), que define o quadro estratégico de referência para o desenvolvimento territorial, económico e social da Região Centro para a próxima década, foi aprovado em Conselho de Ministros na passada quinta-feira, dia 22 de janeiro de 2026.

O documento integra, de forma articulada, áreas como a economia, demografia e inovação, educação, habitação, saúde, sustentabilidade ambiental, energia, conectividade e organização do sistema urbano, reforçando uma visão de desenvolvimento equilibrado, coeso e sustentável para a região.


O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, considera a aprovação do PROT-Centro uma boa notícia para a coesão e o desenvolvimento do território. Segundo o autarca, trata-se de um plano estratégico de longo prazo que contempla um conjunto de obras estruturantes para a região, entre as quais se destaca a ligação entre a Covilhã e Coimbra com a conclusão do IC6, bem como outras infraestruturas rodoviárias relevantes como o IC31 e o IC8.

“É uma notícia positiva, naturalmente, é um plano estratégico de desenvolvimento de longo prazo e, portanto, a sua aprovação é uma notícia positiva.”

Apesar de sublinhar a importância de estas obras constarem do documento, Hélio Fazendeiro alerta que o mais relevante é a sua concretização no terreno, sobretudo como forma de apoiar os territórios afetados pelos incêndios de agosto passado. O autarca afirma que o município tem sido particularmente ativo na defesa da concretização do IC6, reconhecendo tratar-se de um investimento avultado, mas indispensável para travar a perda de coesão territorial, a desertificação e a falta de oportunidades nas aldeias da Serra da Estrela.

“O importante é que se concretize (…) é determinante para estes territórios que ela se inicie e comece num mais curto espaço de tempo”, sublinhou, lembrando que os concelhos da Covilhã, Seia, Oliveira do Hospital e Arganil, entre outros, seriam diretamente beneficiados pela obra, muitos deles severamente atingidos pelo grande incêndio do verão.

O presidente da Câmara lamenta, no entanto, que a Barragem das Cortes, na Serra da Estrela, não esteja expressamente contemplada no PROT-Centro. Considera que o documento poderia valorizar de forma mais clara o potencial estratégico da Serra da Estrela e deste investimento, que integra o Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela e para o qual ainda se aguardam mecanismos de financiamento.

“Achamos que o PROT-Centro podia valorizar de forma mais clara e expressiva o potencial da Serra da Estrela, nomeadamente no que diz respeito à Barragem das Cortes. Trata-se de um investimento que faz parte do Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela e para o qual ainda aguardamos mecanismos de financiamento. É um projeto importante não só para a Covilhã, mas para toda a região, e entendemos que deveria estar explicitamente consagrado no PROT-Centro. Vamos continuar a lutar para que possa ser financiado e concretizado no mais curto espaço de tempo”

O autarca defende também que “faz também sentido, neste território, considerar uma infraestrutura multimodal de transportes, que inclua soluções aéreas, em linha com o plano estratégico da Comunidade Intermunicipal da Região das Beiras e Serra da Estrela. Tínhamos a expectativa e a ambição de que tudo isto estivesse refletido no PROT-Centro”, disse, em declarações à Rádio Clube da Covilhã.

Ainda assim, Hélio Fazendeiro destaca como aspeto positivo o reconhecimento da importância estratégica do interior do país, nomeadamente do eixo de desenvolvimento urbano conhecido como “Rota do Bronze”, que liga Bragança ao Algarve, passando por cidades médias como a Covilhã, Castelo Branco e a Guarda. Para o autarca, este reconhecimento reforça o potencial de fixação de pessoas e de atração de investimento nestes territórios.

“É o reconhecimento da importância estratégica deste eixo de desenvolvimento urbano no interior de Portugal (…) como um território com grande potencial de fixação de pessoas e de investimentos”, afirmou.

O PROT-Centro resulta de um processo amplamente participado e tecnicamente fundamentado, coordenado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), que envolveu universidades, institutos politécnicos, especialistas e um vasto conjunto de entidades e agentes regionais.

Segundo a presidente da CCDR Centro, Isabel Damasceno, “o PROT-Centro constitui um instrumento estratégico fundamental para reforçar a competitividade e promover um desenvolvimento sustentável na Região Centro, assente na valorização do conhecimento, na inovação e no reforço da coesão territorial”, acrescentando que o documento visa promover a prosperidade e o bem-estar das populações da região.