A Inter-Reformados da União dos Sindicatos de Castelo Branco, a Associação de Reformados da Covilhã e a União de Reformados do Tortosendo consideram “inaceitável” a situação que se vive nos Transportes Urbanos da Covilhã (TUC) e exigem respostas formais por parte da Câmara Municipal.
Em conferência de imprensa, após uma reunião conjunta, as três instituições denunciaram o caos verificado no mês de janeiro na aquisição dos passes, uma vez que a Transdev, empresa concessionária do serviço, não operacionalizou o carregamento dos títulos até 31 de janeiro.
As associações alertam ainda para o facto de os utentes detentores do Cartão Social Municipal não estarem a beneficiar do desconto de 75% em vigor desde 2024, sendo-lhes aplicado apenas o desconto de 50% que vigorava até essa data.
Segundo os responsáveis, muitos utentes foram obrigados a adquirir bilhetes de bordo enquanto aguardavam a possibilidade de carregar o passe, situação que consideram grave. No entanto, sublinham que ainda mais grave é o facto de a Transdev não estar a aplicar corretamente o desconto previsto.
“É já por si grave, mas mais grave é o facto de a Transdev, aos portadores do Cartão Social Municipal — que não são apenas os idosos — não estar a consagrar no passe a redução de 75%, que já esteve em vigor numa parte do ano de 2024 e durante todo o ano de 2025, mas a cobrar apenas 50%. Isto é, um passe que custaria 9,90 euros está a custar 19,80 euros. Isto é absolutamente inaceitável”, afirmaram.
Luís Garra, falando em nome das três instituições, imputou responsabilidades à autarquia, considerando que esta não pode manter-se em silêncio perante a situação.
“A Câmara não pode estar em silêncio. Não pode assistir impávida e serena como se não fosse nada com ela. Porquê? Porque a Câmara é dona deste serviço. A Transdev é apenas e só a concessionária”, vincou.
No encontro com os jornalistas, Luís Garra reiterou ainda as exigências destas instituições em matéria de transportes públicos, nomeadamente a gratuitidade para todos os utentes do Cartão Social Municipal, um desconto de 50% para os restantes utilizadores dos transportes públicos e a criação de um passe no valor de 30 euros para as freguesias rurais.
Sublinhou que estas propostas não têm apenas uma dimensão financeira, mas também ambiental.
“Nesta exigência não estão apenas razões de ordem financeira, para ajudar as pessoas, mas também de ordem ambiental. De incentivar o uso do transporte público em detrimento do transporte privado”, afirmou.
Luís Garra destacou ainda que as associações exigem que os utentes sejam ressarcidos das verbas pagas em excesso durante o mês de janeiro. Adiantou também que foi enviado um novo pedido de reunião, com carácter de urgência, ao presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro.
Caso o encontro não seja agendado até 15 de janeiro, as instituições garantem que marcarão presença na próxima reunião pública do executivo municipal. “Procuraremos ir bem acompanhados”, afirmou o presidente da Inter-Reformados.
Contactada pela RCC a Câmara Municipal da Covilhã “reafirma que o valor dos passes nos transportes urbanos da Covilhã não sofre qualquer aumento para os utilizadores, em 2026, de acordo com a deliberação oportunamente tomada pela Câmara Municipal”.
Sublinha ainda que “tal decisão, que foi prontamente notificada à concessionária e que esta tem que cumprir, reflete o compromisso assumido pelo Presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, prevendo a mesma que a obrigatória atualização anual seja, excecionalmente, suportada, na íntegra, pela Autarquia”.
A Câmara Municipal “presume” que “só um erro interpretativo, ou outro que se ignora, poderá ter levado a concessionária a não proceder de acordo com a referida deliberação. Pelo que, o Presidente da Câmara já encetou as diligências necessárias tendo em vista o cumprimento do deliberado”.
A autarquia sublinha “o compromisso municipal que determina que não haverá qualquer aumento no valor dos passes cobrados aos utentes do serviço no ano de 2026, para que os Covilhanenses não tenham de suportar mais um custo nas suas vidas”.
