Corte na Linha da Beira Baixa agrava mobilidade. Move Beiras exige alternativas

A interrupção prolongada da Linha da Beira Baixa, provocada pelas recentes tempestades, está a criar sérias dificuldades de mobilidade na Beira Interior, levando a associação Move Beiras a alertar para o impacto social e territorial da redução da oferta ferroviária e a apresentar um conjunto de reivindicações urgentes junto do Governo.

Em comunicado, a associação sem fins lucrativos — criada para valorizar os territórios servidos pelas Linhas da Beira Baixa e da Beira Alta através do transporte ferroviário — manifesta “grande preocupação” com os constrangimentos sentidos pelas populações, sublinhando que a atual situação representa um retrocesso significativo na acessibilidade da região.


Apesar de o troço entre Castelo Branco e Guarda se manter operacional, os comboios passaram a circular apenas em serviço Regional, reduzindo substancialmente as ligações disponíveis. Entre Castelo Branco, Fundão e Covilhã, a oferta ferroviária foi reduzida para metade, enquanto no troço Covilhã–Guarda o número de comboios diários caiu de dez para apenas quatro.

Segundo a Move Beiras, esta redução está já a impedir deslocações essenciais do dia a dia, nomeadamente para cuidados de saúde, tornando impossível, em muitos casos, viajar até à Covilhã durante a manhã para consultas médicas e regressar no mesmo dia.

A associação considera inaceitável que, perante uma reparação que poderá prolongar-se por várias semanas devido à complexidade da intervenção junto ao rio Tejo, não existam soluções alternativas adequadas para uma região já carenciada de transportes públicos.

Cidades como Castelo Branco, Fundão e Covilhã, com forte presença estudantil e elevada mobilidade diária, estão entre as mais afetadas.

Alguns utilizadores referem como exemplo das dificuldades atuais que uma viagem entre a Covilhã e Santarém, anteriormente realizada em cerca de duas horas, obriga agora a deslocação até Lisboa e posterior regresso, prolongando o percurso para seis a sete horas, incluindo tempos de espera.

Perante o cenário de interrupção a médio prazo, a Move Beiras apela à adoção de medidas mitigadoras imediatas para minimizar o impacto nas populações.

Entre as principais reivindicações está a reposição parcial dos comboios Intercidades no troço Castelo Branco–Guarda, mesmo que recorrendo às automotoras atualmente utilizadas no serviço Regional, de forma a reforçar rapidamente a oferta disponível.

A associação defende também que estas medidas possam ser estendidas ao troço entre Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, atualmente sem qualquer serviço ferroviário, garantindo a restante ligação até Abrantes através de transporte rodoviário de substituição.

Outra exigência passa pela reposição do prolongamento do Intercidades da Linha da Beira Alta até à Covilhã, ligação suprimida em 2022 e considerada fundamental para reforçar a conectividade ferroviária da região.

Para a Move Beiras, está em causa uma questão de coesão territorial, lembrando que a mobilidade continua a ser “um direito básico ainda por garantir plenamente” na Beira Interior. A associação sustenta que a manutenção de serviços ferroviários regulares é determinante para combater as assimetrias regionais, assegurar o acesso a serviços essenciais e contribuir para a fixação de população no interior do país.

Foto: arquivo