Sindicato Têxtil da Beira Interior exige aumento salarial e subsídio de alimentação digno

A presidente do Sindicato Têxtil da Beira Interior, Marisa Tavares, reiterou hoje, em conferência de imprensa, as principais reivindicações dos trabalhadores do setor, com destaque para a valorização salarial e para o aumento do subsídio de alimentação, que considera estar em níveis “completamente vergonhosos”. 2,65 euros.

A dirigente explicou que o foco no subsídio de alimentação se intensificou desde 2022, altura em que os trabalhadores passaram a mobilizar-se sobretudo para exigir melhores condições.


“Nós focámo-nos muito na questão do subsídio de alimentação, porque infelizmente, se nós olharmos para o setor privado, nós vemos que os nossos setores são aqueles que, em termos daquilo que está negociado no contrato coletivo de trabalho, são valores completamente vergonhosos. Já desde 2022, depois da greve, nós focámo-nos muito nesta questão, porque os trabalhadores estão mobilizados principalmente para lutar, não só pelas condições de trabalho, mas principalmente pelo subsídio de alimentação, que nós consideramos que tem de sair do valor em que estamos e que ficou completamente estagnado.”

Em termos concretos, o sindicato defende um aumento salarial de 150 euros para todos os trabalhadores.

Marisa Tavares lamenta o que aconteceu no ano passado durante as negociações com as associações patronais, ANIL e ANIVEC, quando estava em cima da mesa uma atualização do subsídio de alimentação para três anos. Segundo a sindicalista, a assinatura de um acordo pela UGT, sem representatividade na região, permitiu apenas um aumento de 15 cêntimos este ano, situação que o sindicato rejeita.

As contrapropostas patronais são consideradas inaceitáveis por colocarem em causa direitos adquiridos.

“As contrapropostas, por parte das associações patronais, são por nós consideradas completamente inaceitáveis, porque mais uma vez vêm-se «meter» com direitos que são uma mais-valia naquilo que são as nossas condições de trabalho, nomeadamente na questão do feriado de Carnaval e do feriado municipal, que querem retirar. Vêm novamente com a possibilidade de poder despromover os trabalhadores e baixar-lhes o seu vencimento, o que também consideramos inaceitável.”

No setor do vestuário, a dirigente critica ainda a tentativa de alteração da pausa de 10 minutos.

“Eles dizem que não querem retirar a pausa, porque entendem que imediatamente a seguir as pessoas vêm mais aptas para trabalhar, mas o que eles querem é que sejam as trabalhadoras a dar esses 10 minutos à tarde. Isto já vem de há muitos anos e nós consideramos completamente inaceitável esta situação.”

A presidente do sindicato alerta para a saída crescente de trabalhadores experientes, motivada pelos baixos salários e pelo fraco subsídio de alimentação.

“As empresas têm de perceber que só saindo desta estagnação do subsídio de alimentação e dos salários, principalmente da valorização das categorias profissionais, é que é possível termos um setor com futuro. Caso contrário, vamos continuar a ter trabalhadores de outras nacionalidades cada vez mais nas nossas empresas e trabalhadores com vasta experiência a saírem para outras empresas onde o subsídio de alimentação é mais elevado.”

Marisa Tavares reforça que os trabalhadores não aceitam trocar direitos por pequenos aumentos salariais.

“Se nós vendêssemos direitos, na prática é: ‘se vocês estiverem dispostos a vender direitos, nós damos aqui um aumento de um euro’. Isto é inaceitável, porque os trabalhadores não aceitam vender direitos por um euro, aliás, não aceitam vender direitos”, disse.

Apesar de muitas empresas se afirmarem como de excelência, a sindicalista considera que isso não se reflete no tratamento dado aos funcionários.

A possibilidade de greve não está afastada, caso não haja avanços nas negociações.

“Nós vamos realizar sempre plenários antes e depois das reuniões, para os trabalhadores estarem a par do que é colocado. E, obviamente, se não houver um avanço, principalmente na valorização dos salários e do subsídio de alimentação, os trabalhadores estão cansados. Não é a direção do sindicato que decide as greves, é decidido em plenário com todos os trabalhadores”, alertou.

O sindicato garante que continuará a acompanhar o processo negocial e a envolver os trabalhadores em todas as decisões.