A primeira fase da exposição comemorativa dos 125 anos do nascimento de Eduardo Malta, patente no Museu da Covilhã, teve, em quatro meses, mais de quatro mil visitantes, que continuam interessados em descobrir e revisitar a obra do artista. Prova disso foi a forte adesão do público à inauguração da segunda fase da mostra, ontem à tarde.
“Eduardo Malta. 125.º Aniversário Comemorativo do seu Nascimento. Olhares que contam histórias” é o nome genérico desta exposição/homenagem do Município da Covilhã a um dos mais destacados retratistas portugueses do século XX, natural da Covilhã.
A nova etapa da mostra abre novas perspetivas sobre o trabalho do artista, apresentando vertentes menos conhecidas da sua produção, incluindo influências do surrealismo e do abstracionismo geométrico.
A inauguração decorreu com casa cheia, refletindo o forte interesse do público nesta homenagem ao pintor covilhanense.
Primeira fase foi um sucesso

A coordenadora do museu, Sandra Ferreira, sublinhou, em declarações à Rádio Clube da Covilhã, o impacto positivo da primeira fase da exposição, que esteve patente durante os últimos meses.
“A primeira fase correu muito bem, foi muito bem acolhida pelos covilhanenses e não só. Temos tido muitos visitantes, só para dizer que em quatro meses tivemos cerca de quatro mil visitantes, portanto acho que podemos dizer que esta exposição está a ser um sucesso”, afirmou.
Segundo a responsável, o projeto tem atraído públicos diversos, com particular destaque para a comunidade educativa.
“Sobretudo escolas, mas também público mais sénior. Estou-me a recordar a Academia Sénior, fora outras instituições e visitas livres, mas as escolas acolheram muito bem este projeto”, explicou.
Sandra Ferreira destacou ainda o envolvimento do Plano Nacional das Artes, através do trabalho dos curadores António Vaz e Paula Sofia Vaz, que ajudaram a criar pontes com o meio escolar e promover ações formativas no museu.
Obras inéditas e novas descobertas

A Mostra pretende assume-se como uma fidelização de públicos, aponta a responsável. Se na primeira fase o foco esteve sobretudo no retrato e no rigor técnico característico de Eduardo Malta, a nova etapa pretende revelar outras dimensões da sua obra.
“Se vieram à primeira fase e encontraram o Eduardo Malta mais virado para o retrato, na sua vertente mais clássica, agora esta segunda fase é diferente. Temos outro tipo de desenhos, outro tipo de pinturas, outro tipo de obras”, explicou Sandra Ferreira.
Entre as novidades estão trabalhos menos conhecidos do público, alguns ligados ao surrealismo, bem como peças inéditas.
“Até podemos encontrar obras que não são tão conhecidas como, por exemplo, na área do surrealismo. Portanto é uma novidade e temos aqui peças que podemos dizer que são inéditas para o público”, referiu.
A exposição inclui também uma coleção significativa de bibliografia e materiais ligados à atividade gráfica do artista, como notas e selos desenhados por Eduardo Malta.
Um pintor “de todos”

Para a coordenadora do museu, a atual redescoberta da obra do artista confirma a sua relevância cultural.
“O Eduardo Malta está na moda”, afirmou, destacando o apoio do Município da Covilhã ao projeto desde o início.
“É muito importante para nós valorizar os filhos da terra, preservar a memória e a identidade. O Eduardo Malta tem uma característica muito especial: ele é de facto o pintor de todos, porque tanto pinta uma importante personalidade nacional ou internacional, como pinta uma simples mulher a fazer uma prática qualquer do seu quotidiano”. “É um pintor inclusivo e o nosso museu também é inclusivo, como todos bem sabem, portanto, ele é o pintor de todos e o Museu da Covilhã é um museu de todos e para todos”, sublinhou.
Terceira fase envolverá artistas contemporâneos

A exposição integra um programa expositivo dividido em três momentos ao longo de 2025 e 2026. Esta segunda fase estará patente até 28 de junho.
A iniciativa, promovida pelo Município da Covilhã em parceria com a MOOSTRA – Organização de Eventos Culturais, culminará com uma terceira etapa, prevista entre julho e outubro, dedicada ao legado do artista e ao diálogo com criadores contemporâneos da cidade.
“Vai ser completamente diferente, porque a ideia é que estejam patentes as obras que já estão a ser desenvolvidas pelos nossos pintores covilhanenses e alunos”, explicou Sandra Ferreira.
“Ou seja, o olhar dos nossos artistas contemporâneos sobre a obra deste pintor.”
A mostra pode ser visitada no Museu da Covilhã, com entrada grátis
