Teatro das Beiras estreia “Quixote e Pança, sonhadores de mundos” com convite à imaginação

O Teatro das Beiras estreia amanhã, 14 de abril, a nova produção “Quixote e Pança, sonhadores de mundos”, uma peça que revisita o universo de Miguel de Cervantes a partir de uma abordagem contemporânea e pensada para diferentes públicos.

Em declarações aos jornalistas, após um ensaio aberto, o encenador Paulo Calatré explicou que a desconstrução da obra partiu da fusão entre o clássico de Cervantes e uma adaptação de António José da Silva, criando um “Dom Quixote mais português” e próximo do público.


“É um texto universal”, afirmou, destacando que o trabalho passou por recuperar cenas icónicas de ambas as versões, mas também por recriar e adaptar o texto em palco, com jogos cénicos e uma abordagem mais livre. Para o encenador, a própria personagem de Dom Quixote aproxima-se da figura do ator: “está sempre a imaginar mundos”.

A peça transporta o público para a história de quatro jovens que encontram abrigo num teatro abandonado e, ao abrirem um livro antigo, entram no universo de Dom Quixote e Sancho Pança. A partir daí, realidade e imaginação confundem-se, num jogo cénico que celebra o poder criativo e questiona os limites do real.

Num tempo marcado pelo digital, Paulo Calatré rejeita a ideia de que esta proposta possa ser distante das crianças. Pelo contrário, considera que o espetáculo aproxima o clássico da experiência infantil: “mesmo que não saibam quem é o Dom Quixote, vão ver aqui um aventureiro como eles, quando estão a brincar”.

O encenador sublinha ainda a importância da leitura como ponto de partida para a imaginação, defendendo que um livro pode levar a “viajar por mundos que nem sequer existem”. A peça integra também referências atuais, abordando temas como o impacto das redes sociais ou a forma como a violência é exposta.

Apesar de ter várias sessões destinadas a escolas, Paulo Calatré recusa a ideia de que se trate de um espetáculo exclusivamente infantil. “Não acho que há espetáculos para a infância”, afirmou, lembrando que o teatro é sempre partilhado entre diferentes gerações e que o objetivo é criar uma experiência acessível tanto a crianças como a adultos.

Com duração de 45 minutos e classificação para maiores de seis anos, “Quixote e Pança, sonhadores de mundos” estará em cena no Auditório Fernando Landeira, na Covilhã, entre 14 e 17 e 20 a 23 de abril, com sessões para escolas às 10h30 e 14h30. No dia 18 de abril, às 21h30, realiza-se uma sessão aberta ao público em geral.

A produção conta com interpretação de Benedita Mendes, Eduardo Corono, Ellen Rodrigues e Miguel Brás, numa criação que pretende reafirmar o teatro como espaço de imaginação e descoberta num mundo cada vez mais acelerado.