WOOL celebra 15 anos na Covilhã com edição centrada na comunidade e na esperança

A Covilhã recebe, entre 11 e 21 de junho, a 13.ª edição do WOOL | Covilhã Arte Urbana, que assinala 15 anos de atividade daquele que é considerado o mais antigo festival de arte urbana em Portugal. A programação foi apresentada esta terça-feira, numa conferência de imprensa marcada por um forte apelo à participação comunitária e ao papel transformador da cultura.

Na apresentação, a responsável pela organização do festival, Lara Seixo Rodrigues, destacou o simbolismo do local escolhido, o auditório Madalena de Azeredo Perdigão, no antigo Orfeão da Covilhã, atual Condomínio associativo II. “Simbolicamente fazia sentido nesta edição que cumprimos 15 anos, voltarmos aqui. Este é o auditório Madalena de Azeredo Perdigão, uma mulher extraordinária, e foi interessante descobrir o paralelo entre o que era a missão de vida dela e os objetivos que nós temos no WOOL”, afirmou.


A diretora sublinhou ainda a influência do pensamento de Madalena Azeredo Perdição na identidade do festival: “Ela acreditava piamente que a arte e a cultura eram o motor do desenvolvimento regional e também esta coisa de não ter medo de correr riscos […] temos sempre que apontar ao mais alto e à maior qualidade”, disse.

Arte como ferramenta de transformação

Ao longo da conferência, Lara Seixo Rodrigues reforçou a missão fundadora do WOOL, assente na descentralização cultural e na ligação ao território. “Na nossa missão de descentralização do que é a arte e a cultura, de acreditar que a arte e a cultura são ferramentas de transformação incríveis. Aquilo que nós pretendemos não foi convidar artistas para virem, mas que se deixassem imbuir da nossa cultura, da nossa identidade”, explicou.

Essa visão mantém-se desde a criação do festival, em 2011, e continua a orientar todas as suas iniciativas. “Esta questão do envolvimento com a comunidade, de prestar homenagem ao território e tornar acessível a todos num ato claro de democratização da arte” continua a ser central, sublinhou.

Comunidade no centro da edição de 2026

A edição comemorativa dos 15 anos reforça esse compromisso, colocando a comunidade no centro da programação. Segundo Lara Seixo Rodrigues, este será o grande mote do festival: “A comunidade é feita de uma unidade”, disse, e sublinhando que a entidade gráfica da edição 2026 é composta por bolas, apontou que “cada bolinha representa uma pessoa e nós todos juntos somos uma comunidade. É este o grande mote para esta edição”.

Num contexto global marcado por incertezas, a organização assume também um posicionamento claro: “Queremos não só combater o medo, mas criar esperança, é nisto que nós vamos trabalhar toda a programação”, afirmou, sublinhando que o WOOL pretende afirmar-se como “um projeto e manifesto artístico coletivo”, promovendo “territórios de esperança, mais inclusivos, mais coesos, mais sustentáveis e com mais amor”.

Programação multidisciplinar com vários eixos

A edição de 2026 estrutura-se em vários eixos programáticos que cruzam diferentes linguagens artísticas e níveis de participação.

No núcleo central, dedicado à arte urbana, estão previstas quatro pinturas murais — uma de grande dimensão e três de média dimensão —, dez painéis de azulejo integrados no centro histórico e duas instalações artísticas, uma de grande escala e outra de média dimensão.

A música volta a marcar presença com concertos, residências artísticas e três mini-concertos junto a murais em execução, promovendo a ligação entre artistas e público. O festival integra ainda uma vertente de cinema, com destaque para estreias e exibições documentais, e um programa de pensamento, com conversas e ações de capacitação.

No campo das artes visuais, estão previstas cinco exposições — duas permanentes e três temporárias — que revisitam a história do festival, a identidade gráfica e o património local.

A edição de 2026 introduz também uma residência artística de literatura, acompanhando o festival ao longo dos seus dias, e mantém iniciativas participativas como visitas guiadas, ações educativas e momentos de convívio, corridas, almoços e outras novidades.

Ações comunitárias reforçadas

O envolvimento direto da comunidade ganha particular destaque com três ações artísticas participativas.

Entre elas está “A Nossa Casa”, já em curso, que desafia a população a contribuir para a criação de uma peça têxtil coletiva de grande dimensão; a “Marcha pela Esperança”, que envolverá alunos do concelho numa intervenção pública; e o “WOOL Circular”, focado na reutilização de materiais e sustentabilidade.

A estas juntam-se outras iniciativas que promovem a participação ativa, como o regresso do projeto LATA 65, atividades intergeracionais, visitas acessíveis e novas propostas que cruzam cultura, desporto e comunidade.

Reconhecimento institucional e impacto no território

Para Regina Gouveia, Vereadora da Cultura na Câmara Municipal da Covilhã, o WOOL é hoje um projeto estratégico para o concelho. “Tem a ver com o reconhecimento do valor estratégico e real deste evento que é mais do que um festival, tem uma relevância inquestionável quer em termos culturais, artísticos, quer em termos sociais”, afirmou durante a conferência de imprensa.

A autarca destacou ainda o crescimento sustentado do evento e a sua capacidade de envolver a população: “O WOOL tem feito um caminho que é mesmo admirável. Sempre atento àquilo que pode incorporar para que haja mais identificação da comunidade, mais participação”, disse, e, sublinhando o impacto turístico, acrescentou: “Em termos turísticos é obviamente muito estratégico, muito determinante e diferenciador para o nosso território. Faz parte da nossa identidade”.

Comunidade e turismo lado a lado

Também Anabela Freitas, vice-presidente da Comissão Executiva do Turismo Centro de Portugal, destacou a centralidade das pessoas no projeto. “Eu acho que o menos importante no WOOL é precisamente o turismo, o mais importante é o projeto cultural, mas sobretudo o trabalho com a comunidade”, afirmou.

Ainda assim, reconheceu o papel do festival enquanto motor de desenvolvimento: “O turismo é muito importante, pode ser uma ferramenta de coesão territorial, mas o mais importante de tudo são as pessoas e a comunidade, o sentido de pertença”.

A responsável sublinhou ainda a crescente procura por experiências autênticas: “Cada vez mais os turistas procuram projetos em que se possam envolver com as comunidades locais. Aquilo que é feito durante o WOOL fica no território é mais um motivo de interesse para poderem visitar a Covilhã”, apontou.

Um festival com impacto para além dos dias do evento

Apesar de decorrer ao longo de 11 dias, o impacto do WOOL estende-se ao longo de todo o ano, através do roteiro de arte urbana da cidade, hoje uma das suas marcas identitárias.

“Tudo isto reflete-se ao longo de todo o ano, nós temos um roteiro disponível, físico e em várias plataformas digitais e com vários recursos e que as pessoas podem visitar ao seu ritmo”, referiu Lara Seixo Rodrigues.

A responsável destacou ainda a evolução do projeto ao longo dos anos, que passou de uma ideia considerada “utópica” para uma realidade consolidada: “Em 2011 nós podíamos fazer quatro, hoje já vamos com mais de 100 intervenções”.

Edição comemorativa com novidade por revelar

Sublinhando que este ano não terá lugar “o festival dentro do festival” que era a “Rua WOOL, a organização deixou, no entanto, a promessa de uma iniciativa especial para assinalar os 15 anos do festival, ainda por revelar. “É uma coisa de memória coletiva da nossa cidade […] vai ter um impacto muito grande”, garantiu.

O programa completo, com nomes dos artistas convidados e locais pode ser consultado AQUI.