AM Covilhã: Magna Lourenço defende criação de centro oncológico na Beira Interior

A eleita independente Magna Lourenço lançou um desafio à autarquia e à região durante a reunião da Assembleia Municipal da Covilhã, realizada a 27 de abril, no período antes da ordem do dia, ao alertar para as dificuldades enfrentadas pelos doentes oncológicos no concelho.

Na sua intervenção, sublinhou que, apesar de a Câmara não ter competências diretas na gestão hospitalar, tem responsabilidade no apoio aos doentes.


“Quem tem cancro e vive na Covilhã não tem as mesmas condições que no resto do país”, afirmou, apontando as deslocações frequentes e prolongadas a cidades como Coimbra, Porto ou Lisboa como um dos principais constrangimentos.

Segundo Magna Lourenço, estas viagens obrigam os doentes a afastarem-se da sua rede de apoio numa fase particularmente sensível, agravando o impacto da doença. A eleita destacou ainda a escassez de respostas locais, referindo que a única associação de apoio oncológico existente no concelho está direcionada para um tipo específico de cancro, deixando muitos doentes sem suporte adequado.

Outro dos problemas apontados prende-se com a emissão de atestados de doença. De acordo com a intervenção, anteriormente estes documentos eram processados pela junta médica local, garantindo maior rapidez. Contudo, com a transferência dessa responsabilidade para os hospitais de diagnóstico fora do concelho, têm-se verificado atrasos que dificultam o acesso dos doentes a apoios essenciais, incluindo financeiros.

Perante este cenário, Magna Lourenço desafiou o presidente da Câmara a promover uma ação conjunta entre os municípios da Beira Interior, nomeadamente Fundão, Belmonte, Guarda e Castelo Branco, com o objetivo de pressionar o Governo para a criação de um centro oncológico na região.

“A Covilhã sozinha não tem escala suficiente, mas a região tem”, defendeu, apelando à união entre autarquias, independentemente de diferenças partidárias.

Reconhecendo que a concretização de uma infraestrutura desta natureza poderá demorar, a eleita sugeriu ainda a exploração de parcerias com unidades de saúde privadas em construção no concelho, como forma de complementar o Serviço Nacional de Saúde.

“Ter cancro já é um fardo suficiente. Não pode custar mais por se viver na Beira Interior”, concluiu.