A Assembleia Municipal da Covilhã debateu o tema “emprego e empreendedorismo”, numa proposta apresentada pelo Partido Socialista (PS). As intervenções dos vários grupos municipais evidenciaram visões distintas sobre o desenvolvimento económico do concelho.
PS destaca “momento de afirmação estratégica” da Covilhã

O deputado Afonso Gomes (PS) defendeu que a Covilhã vive “um momento de afirmação estratégica” e sublinhou o papel do concelho como motor económico regional.
“O que ali se viu não se limitou apenas a um fórum de debate, mas foi uma prova viva de que a Covilhã sabe que o futuro não se espera, desenha-se, constrói-se e tece-se com audácia e trabalho”, afirmou, referindo-se ao evento Covilhã Innov Summit.
O socialista destacou ainda os indicadores económicos e a aposta na inovação: “Somos um motor de emprego regional com 14 mil postos de trabalho qualificados e apresentamos uma balança comercial positiva”.
Na sua intervenção, sublinhou também a necessidade de investimento em infraestruturas, alertando que “não podemos aceitar que o dinamismo dos nossos empresários seja travado por falta de investimento estrutural externo”.
PCP alerta para salários baixos e valorização dos trabalhadores

Vítor Reis Silva (PCP) reconheceu a transformação económica em curso, mas deixou críticas ao enfoque excessivo na promoção.
“O PS trouxe aqui um bocado de divulgação, mais ao nível da propaganda”, afirmou, acrescentando, contudo, que “é sempre importante também valorizar o que se faz”.
O deputado comunista alertou para dificuldades persistentes, nomeadamente no setor têxtil, e sublinhou a necessidade de valorizar os trabalhadores: “Não basta ter empresas com um forte valor acrescentado (…) quem trabalha nessas empresas continua a ganhar o salário mínimo nacional”.
Defendeu, por isso, que o desenvolvimento “deve ser acompanhado também pela valorização das pessoas”.
Chega critica burocracia e falta de execução

João Farias (Chega) apontou a falta de execução como principal entrave ao desenvolvimento económico.
“O problema não é falta de potencial, o problema é falta de execução, é falta de visão executiva, simplificação administrativa e prioridade política ao setor produtivo”, afirmou.
O deputado denunciou entraves burocráticos: “Hoje quem quiser investir na Covilhã enfrenta um labirinto burocrático”.
Entre as propostas, destacou a necessidade de “simplificação radical”, maior ligação entre ensino e economia e uma estratégia de “reindustrialização inteligente”.
CDS acusa ausência de estratégia municipal

João Bernardo (CDS) criticou a forma como o debate foi conduzido pelo PS, considerando que serviu para promover iniciativas já realizadas.
“Discutimos um debate municipal sobre emprego e empreendedorismo para promovermos aquilo que já fizemos”, afirmou.
O centrista apontou ainda falhas estratégicas: “Volto a falar de estratégia, ou da ausência dela”, criticando a atuação do município no contexto do Innov Summit e a falta de planeamento estruturado.
PSD aponta falta de resultados após 12 anos de governação socialista

Nuno Pais (PSD) centrou a sua intervenção na responsabilidade do PS pela governação do concelho.
“12 anos é mais do que suficiente para apresentar resultados”, afirmou, acrescentando que “a Covilhã continua sem conseguir afirmar-se como um verdadeiro polo de atração de investimento”.
O social-democrata criticou a discrepância entre discurso e realidade: “Mudaram os slogans, mudaram os eventos, mudou a comunicação, mas continuam a faltar resultados concretos”.
Sublinhou ainda que o investimento existente resulta sobretudo da iniciativa privada: “Existe pela coragem, pela resiliência e espírito empreendedor dos empresários covilhanenses”.
PS rejeita críticas e defende políticas municipais
Na resposta, Afonso Gomes rejeitou as acusações de propaganda, garantindo que o objetivo do tema em agenda foi “abrir um espaço de debate”.
O deputado destacou medidas em curso, como a criação da Zona Livre Tecnológica, afirmando que visa “combater essas questões relacionadas com a burocracia excessiva”.
Defendeu ainda a atratividade do concelho: “Os investidores vêm para a Covilhã porque, de facto, o município é atrativo”.
Presidente da Câmara defende estratégia e responde à oposição

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, respondeu às críticas, acusando a oposição de falta de contributos.
“Tenho pena é que o Sr. Deputado sobre emprego e empreendedorismo não tenha nada a dizer”, afirmou, dirigindo-se ao CDS.
O autarca reforçou a necessidade de apoio do Governo central para investimentos estruturais nesta área, recordando os desafios que lançou ao Ministro da Economia no encerramento da Covilhã Innov Summit. “Desafiei o Sr. Ministro a acompanhar a Covilhã naquilo que é a ambição da criação de zona industrial, de alargamento do solo industrial e a repor a justiça no IC6 e na linha ferroviária. Duas coisas simples, básicas e que deviam de ser do consenso total desta Câmara porque são em favor dos nossos covilhanenses”.
Neste ponto Hélio Fazendeiro, uma vez mais criticou a resposta do Ministro na mesma ocasião, que disse, recorde-se “arranje as empresas que nos arranjamos o espaço”: “o Sr. Ministro veio inverter a responsabilidade, certamente pelo cansaço, porque foi durante muitos anos autarca e até uma autarca de referência, veio dizer que afinal a responsabilidade que a lei atribui à Câmara Municipal de gerir e administrar o território e a responsabilidade que atribui ao Governo de captar empresas e captar investimento estrangeiro para o território, nomeadamente através da AICEP, que é um organismo que ele próprio tutela, esqueceu-se e inverteu”, disse.
Reconhecendo preocupações levantadas pelo PCP, admitiu que “os baixos salários preocupam profundamente”, defendendo uma economia de maior valor acrescentado.
Já em resposta ao PSD, destacou investimentos em curso no concelho, afirmando que a Covilhã é “o município com maior capacidade de captação de investimento na beira interior”, dando como exemplos o novo hospital da CUF, que está contratualizado com o município, o City Center, o hotel de cinco estrelas que está para abrir junto ao Centro de Saúde, entre outros empreendimentos que elencou.
