Um estudo desenvolvido pelo LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior, em parceria com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, concluiu que a desinformação associada às eleições Presidenciais de 2026 atingiu mais de 12,8 milhões de visualizações nas redes sociais.
O relatório, intitulado “Desinformação nas Presidenciais 2026: atividade dos candidatos nas redes sociais”, analisou a presença digital dos pré-candidatos e candidatos entre 17 de novembro de 2025 e 8 de fevereiro de 2026, período compreendido entre o primeiro debate televisivo e a segunda volta das eleições.
Segundo os dados apurados, os conteúdos classificados como desinformativos alcançaram 12.826.973 visualizações, geraram mais de 588 mil interações, 105 mil comentários e cerca de 43 mil partilhas. Os investigadores estimam ainda que mais de nove milhões de contas tenham sido expostas a este tipo de conteúdos durante a campanha eleitoral.
No total, foram analisadas 8.047 publicações em diferentes plataformas digitais, com maior incidência no Facebook (29,4%) e Instagram (28,6%), seguidos do TikTok (16,3%), plataforma que registou crescimento significativo face a anteriores eleições, X (14,9%), Threads (7,6%) e YouTube (2,3%).
O estudo identificou 26 casos de desinformação durante o período eleitoral. De acordo com o relatório, o candidato presidencial André Ventura concentrou 88,5% dos casos identificados, correspondendo a 23 ocorrências. Os restantes envolveram Joana Amaral Dias, com duas situações, e André Pestana, com uma. Oito dos casos deram origem a processos de averiguação por parte da ERC.
O vídeo foi o formato mais utilizado nos conteúdos desinformativos, representando 53,8% dos casos, enquanto as imagens corresponderam a 46,2%. A maioria das publicações foi classificada como tendo médio potencial desinformativo, sobretudo devido à manipulação de contexto ou apresentação distorcida de dados.
O relatório destaca ainda o recurso crescente à Inteligência Artificial, utilizada em sete dos 26 casos analisados. Segundo os investigadores, a tecnologia foi usada para criar imagens e vídeos hiper-realistas de adversários políticos em situações fabricadas e para simular tendências eleitorais.
A publicação com maior alcance foi atribuída a André Ventura, alcançando 2,3 milhões de visualizações. O conteúdo, divulgado a 26 de janeiro, apresentava alegados resultados de intenção de voto baseados num inquérito online, que o estudo concluiu não corresponder a uma sondagem oficial reconhecida pela ERC.
A investigação foi realizada no âmbito do protocolo de cooperação entre o LabCom da UBI e a ERC, procurando aprofundar o impacto da desinformação digital em períodos eleitorais e os desafios colocados à literacia mediática e à confiança no espaço público digital.
