A Mutualista da Covilhã celebrou este sábado, dia 6, os seus 96 anos de existência e 131 anos de história associativa, numa cerimónia marcada pela assinatura de dois protocolos de cooperação, pela homenagem a uma associada com mais de 50 anos de ligação à instituição e pela apresentação dos desafios estratégicos para os próximos anos. No final do almoço de confraternização, o presidente da instituição, Nelson Silva, destacou que a organização está focada em responder às novas necessidades sociais da região, com especial atenção à habitação, ao envelhecimento, às migrações e à previdência complementar.
“O grande desafio é olhar para os próximos 96 anos”
Questionado sobre os desafios de liderar uma organização com cerca de 4.500 associados, uma centena de trabalhadores e 160 utentes, Nelson Silva afirmou que a preocupação principal passa por preparar o futuro.

“O grande desafio é como é que nós vamos olhar para os próximos 96 anos, porque realmente o contexto diário é desafiante.”
O dirigente apontou dificuldades como a inflação, a escassez de mão de obra e as mudanças demográficas, mas sublinhou a necessidade de continuar a encontrar respostas inovadoras para problemas emergentes. Entre as prioridades identificadas estão a habitação, a previdência social complementar, a integração de migrantes e o apoio a uma população cada vez mais envelhecida.
Habitação sénior avança com 35 apartamentos
A principal aposta estratégica da Mutualista passa atualmente pela habitação. Segundo Nelson Silva, está em desenvolvimento um projeto na Quinta da Ponte Terra que prevê a construção de 35 apartamentos destinados sobretudo à população sénior.
“São apartamentos em que todos eles estão desenhados do ponto de vista da arquitetura, para pessoas que vão fazer o seu processo de envelhecimento.”
O responsável explicou que as habitações poderão ser adquiridas ou arrendadas pelos associados e contarão com apoio domiciliário integrado, beneficiando da experiência acumulada pela instituição ao longo de três décadas nesta área.

O projeto tem financiamento privado já assegurado, num investimento global superior a sete milhões de euros, dos quais cerca de 6,5 milhões correspondem a financiamento bancário. Após alguns ajustamentos ao projeto e à luz das recentes alterações legislativas relacionadas com o IVA na habitação, a expectativa é que o processo possa avançar até ao final do ano.
Paralelamente, a instituição está a preparar um segundo projeto habitacional num terreno junto ao Jardim do Lago. Este empreendimento contará com cerca de 30 apartamentos e terá uma componente de habitação a custos controlados.
Nelson Silva rejeitou a ideia de que a entrada da Mutualista na área imobiliária tenha como principal objetivo reforçar receitas, defendendo que a iniciativa surge como resposta a uma necessidade concreta do território.
“A componente da habitação é uma resposta a uma necessidade no nosso território”, disse.
Previdência complementar e envelhecimento no centro das preocupações
O presidente da Mutualista defendeu ainda uma maior aposta na previdência social complementar, alertando para os desafios que poderão surgir no futuro ao nível da sustentabilidade da Segurança Social.
“É conveniente que todos tenhamos consciência que precisamos começar a tratar hoje daquilo que são as reformas relativamente ao futuro.”
Nesse âmbito, revelou que a instituição está a estabelecer contactos e parcerias com outras entidades mutualistas para desenvolver soluções nesta área.
Uma ligação de mais de meio século à Mutualista. “uma verdadeira casa
A homenagem distinguiu também Maria Fernanda da Silva Carapito Madeira, associada há 55 anos, que recordou ter aderido à Mutualista por conselho do pai, numa época em que cuidava dos progenitores e não tinha acesso à proteção social existente para os trabalhadores.

“O meu pai disse-me, ele é que me aconselhou a fazer-me sócia da Mutualista. Porque havia cá médicos, havia isto, havia aquilo, havia tudo”, recordou.
Décadas depois, considera que a decisão se revelou acertada. Há dois anos que frequenta o Centro de Dia, para onde foi encaminhada após a perda do companheiro e um período de grande solidão.
“A senhora doutora aconselhou-me e cá estou há dois anos”, contou. Sobre a instituição, não tem dúvidas: “É muito boa. É uma família. É uma verdadeira casa e uma verdadeira família, porque toda a gente, graças a Deus, gosta de mim.”
Protocolos reforçam integração de jovens migrantes
Durante as comemorações foram também assinados dois protocolos, um de carácter educativo e outro desportivo, destinados a apoiar crianças e jovens acompanhados pela instituição, nomeadamente no âmbito das migrações, apartamentos de autonomia supervisionada e comunidade de inserção.
Segundo Nelson Silva, as parcerias com a Up School e o Penta Clube da Covilhã permitirão que dez utentes beneficiem gratuitamente das atividades desenvolvidas por estas entidades.
Recandidatura em 2026
No final da entrevista, o presidente confirmou a intenção de se recandidatar nas eleições que terão lugar em dezembro de 2026.

No cargo há 12 anos, Nelson Silva justificou a decisão com a vontade de concretizar o plano estratégico definido até 2030.
“A minha ideia é precisamente apresentar a minha recandidatura.” “Temos um projeto que apresentámos em 2024, um plano estratégico até 2030, e, portanto, não faria sentido nesta fase, a não ser por um motivo de força maior, não o concretizar.”
