A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou, na sessão realizada na segunda-feira, 29 de junho, um voto de congratulação apresentado pelo Grupo Municipal do PS pelo aumento da população residente no concelho nos últimos quatro anos. A proposta foi aprovada por maioria, registando apenas o voto contra do Chega.
Na apresentação do voto, o deputado municipal socialista João Flores Casteleiro recordou que uma das suas primeiras intervenções na Assembleia incidiu precisamente sobre a perda de população no concelho, sublinhando, também, que esse é um problema que não despareceu.

“Para que fique desde já claro, os problemas e os desafios da demografia na Covilhã não desapareceram de um dia para o outro. O desígnio da fixação de pessoas na região continua a ser prioritário a todos os níveis”, afirmou.
Ainda assim, considerou que os dados mais recentes divulgados pelo INE representam um sinal encorajador.
“O INE estima que, no ano de 2025, residiam na Covilhã 51.045 pessoas, ou seja, mais 3.460 pessoas relativamente aos dados de 2021”, destacou.
João Flores Casteleiro sublinhou que, a confirmarem-se estes números, o concelho regista “a maior subida populacional (…) desde a década de 30 do século passado”, lembrando que a Covilhã perdeu mais de 25 mil habitantes ao longo das últimas seis décadas.
Apesar do otimismo, reconheceu que ainda é cedo para concluir se o crescimento representa uma mudança estrutural.
“Se estamos perante um ponto de inflexão neste longo declínio demográfico do concelho, ou se estes dados são apenas uma anomalia (…), eu não sei. Gosto de pensar que é a primeira hipótese, mas teremos naturalmente de esperar para ver.”
PSD atribui crescimento às políticas do Governo
Na declaração do PSD, Nuno Pais manifestou apoio ao voto, mas defendeu que o aumento da população resulta das políticas implementadas pelo atual Governo.

“O PSD também se congratula com o aumento da população na Covilhã”, afirmou, acrescentando que “de 2021 a 2024, o concelho da Covilhã apenas cresceu 153 habitantes”.
Segundo o deputado social-democrata, “desde que o PSD é Governo, desde 2024, (…) notou-se claramente o efeito da governação social-democrata no país e, concretamente, na Covilhã”, apontando medidas como o acesso à habitação, o IRS Jovem e a isenção de IMT para os jovens.
Na resposta, João Flores Casteleiro ironizou com a interpretação do PSD.
“Só quero registar a anedota do Sr. Deputado, porque realmente é por causa da governação do PSD em dois anos que a Covilhã começou a disparar.”
Chega justifica voto contra e aponta origem migratória do crescimento
O deputado do Chega, Amadeu Alberto, afirmou que o partido “não é contra o crescimento da população na Covilhã”, mas sim “contra a instrumentalização de um dado estatístico sem analisar a sua verdadeira origem”.

Segundo o eleito, os dados do INE mostram que o crescimento populacional resulta exclusivamente do saldo migratório.
“O crescimento populacional deveu-se exclusivamente ao saldo migratório”, afirmou, acrescentando que “não podemos afirmar que a crise demográfica esteja resolvida nem nos congratular por um crescimento que não resulta do aumento da natalidade, da fixação dos jovens ou do regresso dos portugueses emigrados”.
Na intervenção, o Chega defendeu que a resposta ao problema demográfico deve passar por políticas de apoio à natalidade, à fixação dos jovens e ao regresso dos emigrantes, sustentando que “a Covilhã continua a perder população jovem, continua envelhecida e continua a precisar de políticas que apoiem as suas famílias”.
CDS vota a favor, mas pede políticas estruturais
Também o CDS-PP votou favoravelmente a proposta, embora deixando reservas quanto ao enquadramento político do voto.

João Bernardo considerou que o aumento da população “é um sinal que devemos apreciar e devemos congratular-nos”, defendendo que “todos somos poucos para fazer uma Covilhã de futuro”.
No entanto, salientou que importa analisar a composição desse crescimento populacional.
“Mais população significa mais escola, mais saúde, mais economia, mais futuro. Só que temos que saber de facto que tipo de população é.”
O deputado centrista defendeu ainda que o voto de congratulação deve ser acompanhado por políticas concretas para fixar habitantes no concelho.
“Esperamos que este voto de congratulação não seja apenas um voto de congratulação, mas seja acompanhado com a apresentação daquilo que são as políticas estruturais (…) para a fixação de população no concelho.”
