O grupo do PSD na Assembleia de Freguesia da União de Freguesias da Covilhã e Canhoso defendeu a necessidade de uma intervenção da Junta para promover uma maior regulação da utilização das trotinetes elétricas na cidade, alertando para problemas de segurança rodoviária e de estacionamento desordenado. A preocupação foi partilhada pelo presidente da União de Freguesias, Francisco Mota, que garantiu que o executivo irá associar-se à iniciativa.
Na reunião da Assembleia de Freguesia, João Morgado começou por sublinhar que o PSD não encara as trotinetes como um problema, considerando que “numa cidade como a Covilhã” estes meios de micromobilidade “podem representar uma resposta útil em deslocações curtas”, sobretudo tendo em conta a orografia da cidade, as limitações dos transportes públicos e as paragens prolongadas de alguns elevadores urbanos.
Contudo, advertiu que “reconhecer a utilidade das trotinetes não significa fechar os olhos ao risco”, lembrando o aumento da sinistralidade registado a nível nacional e defendendo que a Covilhã deve agir de forma preventiva.
Segundo o social-democrata, são frequentes situações de utilização sem capacete ou outros elementos de segurança, às quais se juntam as características da cidade. “Permitam-me estas palavras antes que haja um acidente grave na nossa cidade. A política local serve para isto, não apenas para reagir aos acontecimentos, mas também para os antever e, sobretudo, para os prevenir”, afirmou.
João Morgado apontou ainda o estacionamento desordenado como outro dos principais problemas, referindo que as trotinetes são frequentemente deixadas “nos passeios, em zonas de circulação pedonal, junto a edifícios públicos”, dificultando a mobilidade, sobretudo de idosos, pessoas com mobilidade reduzida, invisuais ou famílias com carrinhos de bebé.
Perante esta realidade, o PSD propôs que a União de Freguesias assuma uma iniciativa política própria, promovendo o levantamento dos pontos críticos de circulação e estacionamento, solicitando uma reunião de trabalho com a PSP, envolvendo os grupos com assento na Assembleia, estudando o reforço de zonas de estacionamento obrigatório e propondo à Câmara Municipal uma estratégia articulada para a micromobilidade, que inclua fiscalização, campanhas de sensibilização e mecanismos de denúncia de trotinetes mal estacionadas.
O eleito defendeu ainda ações pedagógicas junto das escolas e da Universidade da Beira Interior, lembrando que “a prevenção começa antes da multa e antes do acidente”.
Na resposta, o presidente da União de Freguesias, Francisco Mota, manifestou concordância com as preocupações apresentadas.

“Comungo completamente do que nos trouxe aqui em relação às trotinetes. Também não somos contra as trotinetes, muito pelo contrário, mas realmente é preciso haver uma regulação do seu funcionamento”, afirmou.
O autarca assegurou que a Junta irá acompanhar o assunto. “Daremos nota desta preocupação, associando-nos a ela, e tudo faremos para que possa ser realmente regulada esta questão”, garantiu.
Francisco Mota revelou ainda já ter sentido na primeira pessoa os problemas causados pelo estacionamento destes veículos. “Eu próprio já apanhei muitos sustos com as trotinetes. Já quis entrar no meu prédio e não consegui porque tive de desviar a trotinete. Se fosse a minha mãe, se calhar, não tinha força suficiente para a desviar”, exemplificou.
Considerando que a situação “é urgente”, o presidente da União de Freguesias adiantou que serão encetadas diligências para promover a criação de regras mais claras relativamente ao estacionamento e utilização das trotinetes elétricas.
