O presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, revelou que o município está a desenvolver um projeto de transporte flexível e a pedido para as freguesias do concelho, manifestando a expectativa de que o serviço possa arrancar já no próximo ano. A declaração foi feita na reunião pública do executivo da última sexta-feira, em resposta a uma proposta apresentada pelo vereador do CDS-IL, Eduardo Cavaco, para a criação de um serviço de transporte destinado a facilitar o acesso da população aos cuidados de saúde.
Na intervenção, Eduardo Cavaco justificou a proposta com o envelhecimento da população e a dispersão geográfica das aldeias, defendendo que a atual rede de transportes públicos não responde às necessidades dos residentes.
“O concelho apresenta uma população dispersa por diversas aldeias e lugares, com um índice de envelhecimento elevado, para os quais o serviço regular de transporte público concessionado não garante, pela sua própria natureza e desenho, cobertura adequada em termos de frequência e proximidade”, afirmou.
O vereador salientou ainda que a falta de médicos nas extensões de saúde obriga muitos utentes a deslocarem-se para unidades mais distantes, situação que “afeta particularmente grave a população idosa e residente em zonas rurais e de menor densidade, agravando desigualdades no acesso a cuidados de saúde”.
Entre as medidas propostas, Eduardo Cavaco defendeu a realização de um levantamento das necessidades de mobilidade das populações, a elaboração de um modelo de transporte a pedido e “a criação urgente de um serviço de transporte programado de doentes, em articulação com a ULS e outras entidades competentes”.
Na resposta, Hélio Fazendeiro afirmou que o município já está a trabalhar, do ponto de vista técnico e político, num serviço de transporte flexível e a pedido, destinado a responder às necessidades de mobilidade da população, independentemente do motivo das deslocações.
“A questão que coloca sobre o transporte a pedido e flexível é um projeto que está em curso no município, no qual estamos a trabalhar, do ponto de vista técnico e do ponto de vista político, em que vamos ter transporte a pedido e flexível nas nossas freguesias. Não é por razão da saúde, é por necessidade de garantia de transporte às nossas populações, independentemente de quais sejam as suas necessidades”, afirmou.
O autarca explicou que o serviço pretende servir toda a população, seja para deslocações a consultas, compras ou visitas familiares.
“Está a ser trabalhado genericamente para dar resposta às necessidades de transporte da população, independentemente daquilo que seja a sua finalidade, seja para compras, seja para visitar familiares, seja para vir ao médico, seja para o que for.”
Hélio Fazendeiro adiantou ainda o calendário previsto para a implementação da medida, apontando para o próximo ano.
“É um serviço que vai estar disponível, espero eu. Estamos a trabalhar para essa finalidade, espero que no próximo ano tenhamos novidades sobre isso”, declarou.
Antes de abordar o projeto, o presidente da Câmara defendeu que a prioridade continua a ser a manutenção dos cuidados de saúde de proximidade nas aldeias, afirmando que gostaria de ter ouvido o vereador manifestar preocupação com “o eventual encerramento de extensões de saúde”, considerando que essa é “a garantia de cuidados de saúde de proximidade nas nossas aldeias”.
